A questão da empregabilidade vem se tornando muito importante na relação entre as pessoas e as empresas e, na última década, evoluiu de forma significativa no meio empresarial tanto em termos conceituais como no exercício da sua prática.

Em termos conceituais podemos entender a empregabilidade como a capacidade da pessoa conseguir ser e manter-se empregada (Júlio César S. Santos). Podemos vê-la, num nível pouco mais operacional, como a capacidade de ter trabalho e renda sempre (Fernando Alves de Sousa), ou ainda como a capacidade de adequação do profissional às novas necessidades e dinâmica dos novos mercados de trabalho (Wikipedia).

Na verdade, estamos nos referindo a um conjunto de questões que abrangem a formação pessoal do empregado, seus diferenciais competitivos em relação aos outros empregados, o interesse da empresa no seu perfil e da relação da sua história como indivíduo com o seu próprio currículo (Carlos Hilsdorf).

Entendendo as principais características da empregabilidade, é possível dizer que ela exige, ao menos, os seguintes requisitos: o empregado deve saber que o mercado de trabalho atual é muito diferente, que a preparação para empregabilidade dá ganho competitivo, que ao adicionar atributos ao seu perfil, ele estará trazendo benefícios para a empresa, que as empresas não estão mais dispostas a cuidar do seu plano de desenvolvimento, que a geração de novos cargos e o preparo do colaborador é função desta dinâmica e, por fim, que a sua inserção no mercado de trabalho é uma conquista.

Como diz Chiavenatto (1999) “a empregabilidade surgiu devido o alto índice de desemprego. Ela provém, portanto, da diferença entre a velocidade das mudanças e a velocidade da reaprendizagem”. Minarelli criou os “pilares da empregabilidade” oferecendo às pessoas um guia para se orientar, nesse contexto. O empregado, para manter a sua empregabilidade deverá ter: profissão adequada à vocação, competências, idoneidade, reserva financeira, saúde física e mental e relacionamentos. Quanto melhor ele conseguir equilibrar esses pilares, melhor a sua condição de empregabilidade.

Mas, para que o empregado possa colocar tais ações em prática (conceitos, características, pilares, etc.), alguns desafios deverão ser enfrentados. Entre eles é possível vislumbrar: o seu desconhecimento e a sua falta de informação sobre o macanismo da empregabilidade, a manutenção e o equlíbrio dos referidos pilares e a sua própria resistência às novas exigências do mercado de trabalho.

O primeiro desafio nos conduz a falta de informação das pessoas, em geral, sobre o alcance da empregabilidade para enfrentar os seus problemas com relação à perda, manutenção ou conquista de um emprego. Por mais que existam organizações (SINE, CRA-RJ, Agências de Emprego, etc.) oferecendo vários tipos de serviços, a maioria dos empregados ignora a necessidade da sua preparação para a empregabilidade (Shapiro).

O segundo desafio nos leva à seguinte constatação: não é fácil para os empregados manterem um equilíbrio satisfatório dos seis pilares propostos por Mirarelli. Isto acontece pelo próprio dinamismo dos fatores. Claro que idoneidade e vocação são pilares mais fixos. Mas, conseguir estar sempre com boa saúde, com reservas de dinheiro e, além disso, manter as suas competências e o seu relacionamento atualizados, pode se tornar algo complexo.

Tal equilíbrio, além de ser difícil de ser mantido pela sua própria variedade de situações, exige uma “cultura profissional” ainda muito pouco absorvida por uma grande quantidade de pessoas.

O terceiro desafio é, de certo modo, reflexo dos dois primeiros. A falta de informação associada às exigências dos fatores que compõem os pilares faz com que o empregado crie alguns focos de resistência em relação ao “novo” mercado de trabalho. A relação horas dedicadas ao emprego versus a compensação financeira / benefícios / ambiente terá que ter um indicador alto para que atraia o empregado. Não é difícil observar que um bom contingente de candidatos a emprego tem procurado soluções alternativas, que lhe dêem uma qualidade de vida superior ao que oferece o referido mercado de trabalho (concursos públicos, empreendedorismo, etc.).

Sabemos que o emprego é um dos fatores relevantes de sustentação da qualidade de vida das pessoas. Sabemos também que novos requisitos têm sido exigidos para que as pessoas possam encontrar empregos no atual mercado de trabalho. Além disso, cada vez mais, existe uma consciência de que será muito importante a percepção e a preparação das pessoas para a empregabilidade. Por outro lado, sabemos que as dificuldades para ser bem sucedido, em todas as exigências da empregabilidade, são muito grandes.

Diante desses fatos, ficam as seguintes questões:

a) Será possível obter um ponto de equilíbrio entre as exigências do atual mercado de trabalho e a qualidade de vida das pessoas?

b) Será que as organizações estão engajadas nesse “conflito”?

c) E os empregados, em geral, terão consciência da necessidade da existência desse equilíbrio?

d) Será que apenas sentem os efeitos da empregabilidade, mas não percebem o quanto é importante a sua participação para o alcance da situação de consenso?

e) Será que empresas e empregados estão colhendo os bons frutos da empregabilidade?

Bibliografia

Santos, Júlio César. Empregabilidade – conceitos e definições. Artigo Site Artigonal. 2010.

Sousa, Fernando Alves. Empregabilidade – o caminho das pedras. Artigo Site Só Cultura. 2009.

Hilsdorf, Carlos. O que é empregabilidade? Artigo Site Artigonal. 2008.

Sanches, Larissa Rolim. Empregabilidade – uma experiência profissional. Artigo Site meuartigo.brasilescola.com.br. 2011.

Chiavenatto, Idalberto. Gestão de pessoas. O novo papel dos recursos humanos nas organizações. Rio de Janeiro. Campus. 1999.

Minarelli, José Augusto. Carreira sustentável. Editora Gente. 2010.

Shapiro, Abraham. Empregabilidade – conceito e prática. Entrevista para o Site Profissão Atitude. 2007.

Wikipedia. Empregabilidade. 2011.