Hoje é muito comum vermos um setor responsável pela “Comunicação Corporativa”. Nada estranho visto a complexidade do tema. Existem muitos elementos apontados como essenciais para uma comunicação efetiva. Porém, antes de propormos um posicionamento direto, adentremos um pouco num dos temas mais discutidos: o estudo da Linguagem!

Dessa discussão, com cunho mais filosófico, podemos perceber como a linguagem modela o pensamento. A relação entre cognição e linguagem não é nova, tendo tido uma enorme expansão após a hipótese de Sapir-Whorfr, na década de 1930. Na década de 1970, essa ideia foi “desmistificada” e caiu em descrédito, apenas para retornar encorpada por evidências empíricas em nossos dias, inclusive expandindo a influência da linguagem na construção da percepção do espaço, tempo e dimensões básicas da experiência humana. Ou seja, a adequação da linguagem tem moldado a maneira como diferentes povos percebem a realidade, desde o nível mais básico ao complexo.

Essa é uma ideia perturbadora, já que enseja que a comunicação entre dois povos exija invariavelmente mais do que o “simples” conhecimento da língua, mas um aprofundado entendimento cultural, das nuances lógicas que conectam uma expressão linguística dentro de uma realidade percebida. Realidade percebida que basila uma identidade cultural! Na verdade, este “problema” existe num universo menor, dentro dos povos falantes de uma mesma língua.

No Brasil, por exemplo, temos dois graves problemas desta natureza: uma língua/cultura com diversas raízes, que aumentam a complexidade do idioma ao mesmo tempo em que agrega ideias que foram percebidas e expressas muitas vezes sem o correspondente termo, ou com demasiadas flexões para a mesma expressão; e justamente pela complexidade anterior, uma enorme tendência para a informalidade, prejudicando a rigidez necessária para uma comunicação homogênea. Some-se a isso o ainda grande desnivelamento de conhecimento. Pronto. Temos montada uma enorme Torre de Babel! Muitas vozes falando ao mesmo tempo sem que haja compreensão.

Sim, apesar de possuirmos diversas tecnologias criadas para aproximar as pessoas, não é difícil percebemos problemas de comunicação nas mídias digitais. Afinal, como ouço de um amigo, “se perde a entonação de voz, a expressão facial/corporal e pequenas nuances”, características que podem ser decisivas na interlocução.

Por isso, a habilidade de comunicar exige mais do que “simples” domínio da língua e boa dicção, uma comunicação eficaz enseja a famigerada habilidade de “ausculta”, como na medicina, saber identificar os “sons internos”, desenvolver a capacidade de leitura do que poderia causar os ruídos para comunicar a mensagem de forma clara e efetiva! Ou seja, não basta que seja claro para quem transmite, faz-se necessário que se confirme nos ouvintes a mesma clareza, para então se atribuir eficácia à comunicação!

Deste modo, destaco além dos aspectos que normalmente ouvimos neste tipo de conversa (a saber), “Saber se comunicar”, ”Usar corretamente a expressão corporal”, “ser objetivo” etc., como essencial para evitar o “Efeito Torre de Babel” uma habilidade conciliadora de agregar conhecimentos lógicos e linguísticos capazes de descrever com clareza o que se percebe o que é evidente, ou analogamente o que é argumentativo, somado a um conhecimento cultural que permita desenvolver os conectivos corretos para cada mensagem a ser transmitida. E, sobretudo, conseguir desenvolver a habilidade de escuta apurada para “ajustar a frequência” correta do ouvinte, sem assumir presunçosamente que o fez louvavelmente antes de confirmar junto ao receptor o nível de conhecimento extraído da mensagem. Quando isso ocorre, podemos dizer que houve comunicação!