UMA ERA DE DESCONTINUIDADE NA GESTÃO DAS ORGANIZAÇÕES: O PAPEL DA TI NESTE PROCESSO

A sociedade atual está a cada dia convivendo com uma situação menos estável , menos rígida, menos segura, menos previsível. Esta instabilidade permeia toda a sociedade, todos os ambientes.  O mundo convive com rupturas constantes. Quando se abandonam algumas rotinas, o mundo pode parecer ameaçador. mudanças refletem a introdução de novos procedimentos e o afastamento daqueles até então dominantes. Embora ameaçador, também é muito promissor.

Para avaliar a situação que estamos vivendo deve-se considerar, pelo menos, três processos desenvolvidos durante a última década e que se realimentam, tornando o mundo diferente do que era. Os dois primeiros pontos são a globalização e a  desregulamentação, que tornaram o mundo   menor, mais misturado e mais dinâmico. O terceiro ponto é a informatização. Introduzida no mundo dos negócios na década de cinqüenta, ganhou força depois da invenção do microprocessador na década de setenta.

Os computadores em meados do século passado eram grandes e difíceis de manejar.  Suas falhas significavam reparos freqüentes, dificultados pelo seu tamanho e  sua construção. Além disso, esses primeiros computadores só eram acessíveis em linguagem de máquina. Quanto ao hardware era impossível transferir um programa de aplicação de uma máquina para outra. Esse primeiro período terminou em 1965, com a geração de computadores 360 IBM. Os primeiros circuitos integrados substituíram os transistores, permitindo, ao mesmo tempo, grande melhora na relação desempenho/preço, diminuição do volume dos aparelhos e maior confiabilidade. Os novos hardwares  constituíram uma nova linha de produtos universais, o que permitia aos usuários  passar de uma máquina para outra.

Nas décadas seguintes, a evolução dos componentes eletrônicos é, sem dúvida, a mais carregada de conseqüências. Sua miniaturização, assim como seu custo reduzido,  permitiu sua disseminação e utilização em massa, principalmente com a expansão dos PC´s.

Ao mesmo tempo, as características de rigidez da geração anterior desapareceram. Antes, as informações só eram acessíveis de forma seqüencial. Passaram a ser possíveis procedimentos particulares que permitiam obter-se a informação de acordo com o interesse do usuário. Surgiram os bancos de dados que aliavam a vantagem de uma capacidade de armazenamento maior com as possibilidades de fácil acesso. A máquina gera cada vez, mais eficazmente, seu próprio funcionamento, otimizando as seqüências de trabalho e organizando melhor os períodos de tratamento, de obtenção de dados e de impressão.

Aparecem redes em tempo real. Os meios de transmissão, anteriormente separados,  aproximam-se.  Os pontos de acesso  multiplicam-se  onde os terminais, cada vez mais numerosos, dialogam entre si e os computadores centrais.

Nos anos oitenta, havia uma suposição de que a informatização fosse revolucionar sozinha todo o mundo dos negócios, mas o que se viu foi que, sem transformações organizacionais, a tecnologia agravou os problemas de burocracia e rigidez das empresas, em vez de solucioná-los.

As inovações da tecnologia da informação permitem oferecer produtos mais variados a usuários cada vez mais numerosos. A inter-relação crescente da tecnologia da informação e de seus usuários estejam eles dentro ou fora da empresa propriamente dita, transformam os modelos organizacionais, onde a partir da possibilidade de criação de redes, as empresas ganham novos contornos  do ponto de vista organizacional. Formar uma rede envolve mais do que fabricar um produto: encontrar parceiros, formar alianças estratégicas e saber como dar partida no movimento de apoio pode ser tão importante quanto as habilidades de engenharia .As regras tradicionais de estratégia competitiva focalizam os concorrentes, fornecedores e clientes. Na economia da informação, as empresas que vendem componentes complementares, ou complementadores, são igualmente importantes. Da mesma forma que a revolução industrial, está-se diante de novas transformações revolucionárias na forma de fazer negócios e de se relacionar com o trabalho.

O lugar em que esses avanços sócio-econômicos estão atingindo seu ponto mais alto é a Internet. É aí que a tecnologia de informação se encontra com a globalização e os processos organizacionais de uma forma jamais vista. Esse encontro proporciona várias transformações: nas organizações, nas comunicações internas, no modo de se relacionar com clientes e fornecedores, na própria natureza dos produtos e na própria configuração das empresas. E mais uma vez como em toda a história, novas tecnologias de informação irão possibilitar e estimular novas formas organizacionais.

Do ponto de vista organizacional, as empresas  durante o século XX, foram alvo de alterações significativas em seu comportamento e formas de relacionamento tanto do ponto de vista interno quanto externo. Tanto inovações tecnológicas quanto inovações organizacionais surgiram de maneira acentuada, principalmente na última década deste século. Entende-se aqui inovação tecnológica como  a utilização do conhecimento sobre novas formas de produzir e comercializar bens e serviço e inovações organizacionais como a introdução de novos meios de organizar empresas, fornecedores produção e comercialização de  bens e serviços.

Dois modelos básicos de gestão predominaram no século XX: um, com um conjunto de ações mais monológico denominado Fordismo, com características da abordagem mecanicista da escola de administração fundada por Taylor; e um segundo, com um ponto de vista mais dialógico, com uma abordagem mais comunicativa e orgânica,  maior tendência para as escolas relacionadas com a ênfase comportamental ou de relações humanas da administração, denominado Toyotismo.

O Fordismo foi inaugurado em 1914 por Henry Ford. As inovações tecnológicas e organizacionais propostas por Ford foram uma extensão de tendências pré-estabelecidas. A forma corporativa de organização de negócios fez pouco mais do que racionalizar velhas tecnologias e uma detalhada divisão do trabalho preexistente, embora, ao fazer o trabalho chegar ao trabalhador numa posição fixa, ele tenha conseguido drásticos ganhos de produtividade.

O Fordismo surgiu como um modelo microeconômico e se estende também como modelo macroeconômico até os anos 70. As expressões Fordismo, moderno e sociedade industrial se opõem às expressões pós-Fordismo, pós-moderno e sociedade pós-industrial,  aqui  sendo denominada  Toyotismo. Como Toyotismo entende-se um novo paradigma produtivo decorrente das transformações sócio-técnicas  das empresas, pela intercessão do novo padrão tecnológico baseado na microeletrônica e nas tecnologias japonesa, suecas e alemãs.

Este novo momento é denominado “acumulação flexível”, e a descreve como marcada por um confronto direto com a rigidez do Fordismo. Ela se apóia na flexibilidade dos processos de trabalho, dos mercados de trabalho, dos produtos e padrões de consumo e caracteriza-se pelo surgimento de setores de produção inteiramente novos, novas maneiras de fornecimento de serviços financeiros, novos mercados e, sobretudo, taxas altamente intensificadas de inovação comercial, tecnológica e organizacional.

O novo paradigma produtivo emerge da junção e dos efeitos cruzados dos novos modelos de gestão e tecnológicos. Apresenta algumas de suas características revolucionárias, o que estaria a indicar uma terceira revolução industrial: (1)  Desenvolvimento de um conjunto de inovações tecnológicas; (2) Formas de gestão inovadoras; (3) Revolução nos processos produtivos; e (4) Modificações nos processos organizacionais.

Acrescente-se a isso,  uma outra forma de riqueza que está emergindo: o conhecimento. Com essa  nova forma de ver o conhecimento, ocorrem mudanças tanto  no capital quanto no trabalho. Em um mundo onde  o conhecimento ganha nova dimensão, o capital e o trabalho estão ficando menos antagônicos e  mais parecidos em funcionamento. Capital é cada vez  mais o somatório de capital intelectual, capital de clientes, capital de marca e capital de informação. E trabalho,  a capacidade de gerar idéias e transformá-las em ação e de conectar-se a outros trabalhadores, a cliente, a fornecedores e até mesmo a concorrentes.

Todo o mundo corporativo terá de ser repensado, reestruturado e reinventado, desde as relações com empregados e fornecedores até as suas estratégias, formas de organização, liderança e práticas operacionais.  Essas mudanças são profundas. Vários autores referem-se a esse  mundo como uma nova sociedade, ora em construção.

Concluindo, hoje,  informação , tecnologia e o fluxo de informação  afetam a empresa, sua organização e os agentes produtivos em torno dela. A nova empresa deverá estar baseada em tecnologia, orientada para os clientes e preocupada com uma capacitação e desenvolvimento constante de seus empregados.

Sobre o autor

Antonio Andrade

Adm. Antonio Rodrigues de Andrade Vice-Presidente de Educação, Estudos e Pesquisas

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