Segundo a Bíblia__ dita sagrada __ no Livro dos Reis, o rei Davi, por estar ocioso há vários dias em seu Palacete, possuiu a mulher de um general enquanto este se encontrava na frente da batalha e o manteve na guerra todas as outras vezes seguidas.

Segundo o Livro dos Upanixades, também sagrado, foi por viver em ócio que o deus Brama criou a mulher; teve com ela outra filha com quem gerou filhos que foram os semideuses que povoaram a Terra no início do mundo. Haja ócio!

Ambas as bíblias nos ensinam que o ócio é um vicio pecaminoso.

Independente da opinião ociosa dos deuses (Javé trabalhou seis dias, folgou no sétimo, aposentou-se e incumbiu o homem __ um único casal__ de povoar a Terra), o ócio é o pai da criatividade e dos avanços científicos, o que comprovam milhares de exemplos históricos. Mas para não interromper muito o meu ócio citarei só alguns: Isaac Newton estava esplendidamente descansando em baixo de uma macieira, quando a queda acidental do fruto deu-lhe a teoria da gravidade; Einstein, seu sucessor na Física, se trancava em seu quarto para poder pensar e numa dessas ociosidades descobriu o Princípio da Relatividade.

Enfim, acredito que todos os filósofos e pensadores, desde Sócrates (que teve preguiça até para escrever os seus pensamentos e se não fosse por seu discípulo Platão, ninguém saberia que ele, por pura letargia, deixou-se morrer por cicuta) até nossos dias, têm na ociosidade sua mais frutífera companheira. E como escreveu Gabriel Garcia Marques: “Não se esforces tanto; as melhores coisas acontecem quando menos se espera”.

Difícil é suportá-lo por todo dia. De fato é uma tarefa árdua!

Cônscio de me faltar a sabedoria dos hindus e de não possuir a fertilidade pródiga dos judeus, curto meu ócio, amadoristicamente, escrevendo.