Esse artigo é para apresentar e discutir as duas grandes dificuldades que os empreendedores se confrontam, uma é se dedicar a uma inovação e transformar uma idéia (um problema) em produto ou serviço e a outra é empreender para que a criatura dê lucro e pague o ROI. Aproveito também para fazer uma homenagem às comemorações do dia 9 de setembro que é o dia do administrador 2013.

Como sabemos, as inovações poderão ser tecnológicas de produto, de processo ou de serviços, mas em especial vou escrever sobre a que mais é comentada nas mídias a inovação tecnológica de novos produtos. É essa a que mais atraem empresas para as Incubadoras nas Universidades em todo o Brasil devido a algumas exigências de edital para atender a vontade do governo em incentivar através do CNPQ e FINEP um projeto inovador.

Quero ressaltar desde início que sou favorável a todas tentativas de inovar e de incentivar a inovação nos três aspectos: aquisição, gestão e apropriação do valor criado. Por isso, peço que os administradores fiquem atentos para essa oportunidade de participar oferecendo seus serviços a esses centros de extensão universitária. As incubadoras pertencem a várias faculdades de todas as especializações desde as de engenharia, informática, biologia, química, até outras com formação específica. Então quem apresenta um projeto para incubar a empresa ou é ex-aluno ou tem um projeto ligado à especialidade do centro acadêmico. Geralmente, esses empreendedores nem sempre são de áreas com formação em administração ou em humanas.

A concepção, análise e execução de um projeto requerem conhecimentos das melhores práticas de gestão além de exigir que ele seja um profissional habilitado para analisar crivos de finanças, marketing, pesquisa de satisfação, gestão de RH, direito comercial, estratégia empresarial, etc., que são atributos do administrador. Mais complicado ainda é o gerente da empresa que tenha o projeto incubado necessitar obter ROI – Retorno sobre o investimento. Terá que calcular em que escala irá produzir a inovação, quais os mercados que poderão consumir nas quantidades econômicas projetadas, além de outros conhecimentos.

Lemos nas mídias quantas inovações boas e bem boladas não pagaram seus projetos e foram engavetadas. Quero esclarecer também que se o inovador não aproveitar o lead time, outros rivais criam outra inovação ao entorno e se apropriam do valor que o inovador criou, mas que não teve velocidade para chegar ao mercado. É triste, mas é verdade. O produto é bom, mas por falta de financiamento o inovador fica com o projeto pronto e vai oferecer no mercado. Daí à cópia é um pulo. Não basta o inovador encontrar um grupo de lead users. O produto tem que ser vendido numa escala econômica para vários mercados e pessoas para que o ROI apareça, ou a preços prêmio para poucos interessados. É complicado, mas é essa a nossa experiência como administrador.

Por isso, ofereço esse artigo como presente de aniversário da nossa profissão aos nossos colegas que queiram participar e contribuir para esse maravilhoso processo de inovar. Lembro que a inovação ocorre por que uma pessoa ou empresa tem uma necessidade (um problema) de que algo seja feito para que ocorra alguma melhora ou uma solução para custos, produção, operações ou logística. Em todos os setores atividades industrial, comercial ou de serviços, governos, ONGs e nas universidades sempre irá ocorrer alguém terá uma nova necessidade para solucionar algum problema.

Então, registre as palavras chave da inovação: problema, dificuldade, necessidade, solução, projetar, empreender, marketing. Os inovadores geralmente são sonhadores, algumas pessoas no passado os chamavam de professor pardal. E não basta saber construir uma nova máquina ou produto e depois procurar quem o financie. Na frente da inovação e logo atrás da descoberta está o administrador.

Lembro que, lendo o caso “Thomas Edson”, foi ele na sua empresa quem iniciou o processo de empreender a comercialização de inovação da construção de uma lâmpada econômica, isto é, a lâmpada já existia, mas não era comercial. Ele e seus pesquisadores de laboratório foram quem tornaram a inovação da lâmpada comercial viável e rentável. Sua empresa criou um sistema que era composto por uma unidade de geração de energia, passou os fios pelas já existentes tubulações de gás, e colocou bocais com lâmpadas nos locais onde já existiam as lamparinas nos postes e iluminou cidades inteiras cobrando um valor dito “justo” na época pela maravilha de seu invento.

Esse é o segredo. Criar uma inovação e construir um sistema para se apropriar do valor criado.