Formar para Empreender – A Preparação de Gestores para a Inovação e Sustentabilidade

Fonte: https://blog.hotmart.com/pt-br/empreendedorismo-no-brasil/

“Existem três tipos de empresas e pessoas. As que fazem as coisas acontecerem, as que ficam vendo as coisas acontecerem e as que se perguntam: O que aconteceu?” (Philip Kotler)

“Visão sem ação não passa de sonho; ação sem visão é só passatempo; visão com ação pode mudar o mundo” (Joel Baker)

Introdução

A difusão do empreendedorismo como objeto de estudo nas instituições, nas duas últimas décadas do século XXI, desenvolveu estratégias metodológicas diferenciadas que resultam hoje em tendências de integração teoria e prática, importantes ao espírito inovador. Com isso, as formas de ensinar e aprender o conhecimento, bem como desenvolver habilidades e competências se ampliaram.

A essência do empreendedorismo é a habilidade de visualizar uma oportunidade e a mobilização para buscar o novo, apesar dos possíveis riscos; porém, na atual realidade globalizada de mercados escassos e complexos, passa a ser um caminho, talvez o único, para que profissionais alcancem postos de trabalho e formas eficazes de atuação em ocupações e atividades de nível superior.

A criação desse espírito não acontece por acaso, desenvolve-se, por meio de habilidades e atitudes, para o desenvolvimento de competências necessárias ao perfil empreendedor. Com isso, algumas ações necessitam nortear a formação do futuro profissional para o mundo em transformação, na busca de novas respostas e de novos e constantes conhecimentos, visando ao sucesso para a vida social e pessoal. Nesse ponto, a participação da instituição de ensino é decisiva, pois são das propostas acadêmicas, das metodologias interdisciplinares e, principalmente, transdisciplinares, de uma postura didática, aplicada à inovação, que se promove a formação empreendedora.

Assim, pretende-se revelar as características do perfil empreendedor, por meio de estudo bibliográfico, com nova construção epistemológica, demonstrando que o profissional brasileiro de gestão, de qualquer área de formação e atuação, muito necessita de habilidades, comportamentos e valores necessários a empreender, a fim de que se coloque na lógica da inovação, por meio de uma formação sustentável, desenvolvida pela educação.

1 O empreendedor e o empreendedorismo – definições necessárias

A princípio, torna-se necessária, para fins de realização do estudo, a definição dos termos Empreendedor e Empreendedorismo, de forma a prover conceitualmente os aspectos básicos da construção teórica do tema que se quer abordar.

O conceito Empreendedor traz em si a qualidade de empreender, na realidade de mercados e de formação. O que se vê são profissionais de vários níveis ainda baseados num modelo arcaico e reprodutivo, pouco contribuindo à formação do espírito empreendedor, conforme se pode verificar nas formas de ensinar e nos conteúdos, geralmente, desvinculados da prática. Nesta análise, nem todo profissional formado consegue desenvolver o tão desejado perfil empreendedor, para fins da inovação em suas atitudes.

Na busca da definição do termo Empreendedorismo, tem-se: o fazer algo novo ou o que existe de formas diferentes. Podem ser mudanças nas técnicas de produção, conquista de mercados, introdução de bens, entre outros fatores de alteração econômica. Tal alteração provocaria um desequilíbrio dinâmico, obrigatório para uma economia sadia, sendo um dos principais fatores de “booms e depressões”, na medida em que interferiria em salários e taxas de juros.  É assim que Joseph Schumpeter (1996) definiu a atitude empreendedora. A expressão possui vasto campo de significados, como inovação empresária e resposta criativa. Desta forma, considera que o importante é reconhecer como agente que faz a diferença.

Precursor do conceito, Schumpeter cita Cantillon (XVII), autor que introduziu o termo empresário – “aquele que compra meios de produção a certos preços e os combina para obter um produto que vai vender no momento em que se compromete com os custos”. Cita ainda Say (1800), que criou o francês entrepreuner – “quem transfere recursos econômicos de um setor de baixa produtividade para um setor de produtividade ainda mais elevada e de maior rendimento”. Essas concepções iniciais influenciaram teorias posteriores, sobretudo, pela presença de mecanismos de direção e exploração.

Drucker (1986) afirma que o empreendimento é uma conduta, fundamentada numa decisão, cujas bases são o conceito e a teoria. Não é traço da personalidade. Dolabela (2002) segue o mesmo caminho, ao defender que existe um perfil do empreendedor, mas que esse pode ser desenvolvido por todos que se empenhem em concretizar seus ideais. Diz também que em qualquer ofício é possível desempenhar tal função, o diferencial está na maneira como se aborda o mundo. Segundo ele, “é o sistema que aciona a energia individual e a coletiva no âmbito da construção do desenvolvimento, seja na montagem de uma empresa, ação empreendedora do emprego, no governo ou no terceiro setor”.

Schumpeter (1996) e Dornellas (2005) estão de acordo com essas proposições. O primeiro trabalha com motivações e percebe que as inovações variam com o ramo da economia, com a origem, função e aptidões do sujeito. E o segundo, com as oportunidades, as quais devem ser bem identificadas.

Para Schumpeter (1996), a atividade empresarial requer uma liderança e algum controle sobre fatores materiais e pessoais. Defende que o autofinanciamento é o método mais promissor para direcionar uma empresa ao seu tamanho ideal. A função empresária, no entanto, não necessita ser exercida por uma pessoa física singular; muitas vezes o é por uma personalidade coletiva.

Drucker (2003) concorda e estabelece o conceito de risco, no qual declara ser essencial arriscar nos negócios, com metodologia, em vista de criar valores diferentes e fazer novas contribuições. Para tal, pressupõe o “monitoramento das sete fontes para uma oportunidade”. São elas: algum evento inesperado; uma incompatibilidade entre a realidade e como deveria ser; inovação baseada na necessidade do progresso; alterações inesperadas no setor industrial ou no mercado; mudanças populacionais; na percepção, disposição e significado e, um conhecimento novo, científico ou não.

Dornellas (2005) identifica outros fatores como pretexto para a inovação. Há os pessoais, ligados à própria satisfação; os ambientais e os sociológicos, que incluem as possibilidades de reunir grupo de pessoas influentes, com formações, vocações e idades desejadas.

Schumpeter (1996) taxa o fenômeno como imprevisível, pelo caráter heterogêneo e por não ser transmitido por qualquer tipo de herança.  No entanto, a frequência com que ocorre, a intensidade, seu sucesso ou fracasso está relacionada à qualidade das pessoas disponíveis no mercado, às ações individuais e aos padrões comportamentais. O reverso, também, procede. A atividade empresarial contribui para certo tipo de civilização e mentalidade pública.

Dentre os autores citados, Dolabela (2002) é o que enfatiza a conotação social do empreendedorismo, cuja serventia primordial é gerar utilidade para os outros. A formação do bem-estar da coletividade e da liberdade deve estar vinculada à capacidade de produzir riquezas a todos.

Tanto Schumpeter (1996), quanto Dornellas (2005), retrata as inovações como partes de um processo. Para eles, há uma sequência de quatro fases. Primeiro, a identificação da oportunidade, depois o desenvolvimento de um plano de negócio, seguido da determinação de recursos para começar o plano e, por último, o gerenciamento da empresa. Na visão dos autores, as mudanças se agrupam em certos períodos, não são distribuídas uniformemente pelos ciclos econômicos. Isso acontece em função da facilidade de se repetir um feito, após terem sido superadas as resistências ao novo.  Na leitura dos autores, as três primeiras fases estariam ligadas à capacidade empreendedora e a última à capacidade de gerenciamento e sustentação do negócio.

Schumpeter (1996) questiona acerca do futuro do empreendedor e aponta impressões, as quais precisam ser comprovadas ou refutadas pelo historiador. Por um lado, há a possibilidade do declínio da função, já que essa envolve habilidade de prever oportunidades capazes de quebrar a resistência que o meio impõe à mudança e, que a princípio, não podem ser comprovadas. Além do que, a atividade empresarial não é mais o único meio de ascensão social. Existem outras possibilidades dentro e fora da esfera econômica, como a área acadêmica, a economia informal, entre outras. Por outro lado, boas perspectivas existem, no sentido, para que os meios atuais ofereçam menos resistência às novidades. Assim, o uso da intuição tende a ser substituído por uma equipe de especialistas e generalistas, para que o progresso se torne cada vez mais automático.

De todo modo, há um consenso quanto à necessidade de serem realizados mais estudos nessa área, de forma imparcial, que aborde os interesses e posições dos empresários bem-sucedidos e também dos fracassados, de forma a retratar o ambiente social.  Afinal, o empreendedorismo, conforme Dolabela (2003), é um “fenômeno cultural”, no qual as soluções refletem os valores e características do povo.

2 O perfil empreendedor

Vê-se na sociedade o crescimento vertiginoso do fenômeno do empreendedorismo e a mobilização da sociedade para a compreensão deste fenômeno. As tendências das práticas educacionais já denotam a grande preocupação com a empregabilidade dos futuros profissionais. Tal conduta se direciona indiscriminadamente a homens e mulheres, independente da área de formação ou das práticas de desenvolvimento de habilidades e competências em várias instâncias sociais.

Algumas das principais “causas” do empreendedorismo na sociedade são a falta de espaço no mercado de trabalho formal (como empregado) e a facilidade de acesso à informação. Esses dois fatores podem levar a três tipos de empreendedor:

a) O intraempreendedor, que por uma necessidade de realização pessoal ou financeira procura empreender dentro da empresa em que trabalha, para não perder seu lugar e/ou atingir cargos mais elevados (Schumpeter, 1996);

b) O empreendedor por necessidade, aquele que depois de trabalhar em um emprego formal é demitido e se vê obrigado a trabalhar como autônomo para a sua subsistência, e empreende por necessidade, por “não ter para onde ir” e não por preferência ou aptidão. Seus traços empreendedores são voláteis, não resistem às dificuldades do mercado ou a uma oferta de emprego formal;

c) O empreendedor por preferência, aquele que faz a opção de dirigir seu próprio negócio por enxergar nele a possibilidade de se realizar pessoal e profissionalmente. A crença na sua capacidade e na sua vontade de inovar e se desenvolver, para tudo dar certo, são fortes e não se desintegram facilmente; o empreendedor ele é, acima de tudo, perseverante.

Dolabela (2010) cita que a velocidade das mudanças na sociedade moderna e a necessidade de se estar sempre em busca da informação fazem com que o empreendedor trabalhe para se antecipar ao futuro e não para acompanhá-lo.

A seguir, apresentam-se habilidades e valores que se relacionam ao caminho para o estabelecimento de sucesso de um gestor, além de traçar o seu perfil e seu lugar no mercado.

2.1 As habilidades

As habilidades estão ligadas às ações práticas, aos valores e às estruturas que levam o indivíduo a tomar determinada decisão ou praticar determinada ação, de forma inventiva e inovadora.

Definidas como um conjunto de comportamentos proativos que colaboram para o sucesso de uma empresa, as habilidades natas ou desenvolvidas são indispensáveis ao perfil empreendedor na gestão e na vida. Assim, podem-se elencar várias habilidades pertinentes a este perfil:

– da identificação de novas oportunidades – O conhecimento do mercado e a rápida adaptação a novos cenários fazem com que ele se antecipe ao futuro e inove em suas decisões.

– de valoração de oportunidades e pensamento criativo – O empreendedor consegue criar e separar as possibilidades reais de investimento do mero sonho (Dolabela, 2003) por meio de uma avaliação crítica e realista daquela oportunidade.

– de comunicação persuasiva – A capacidade de comunicação implica em convencer terceiros de que a sua ideia é importante e merece investimento.

–  de negociação – A confiança na própria ideia gera argumentos para uma boa negociação.

– de aquisição de informações para resolução de problemas – A capacidade de recolher e filtrar informações úteis ao empreendimento e torná-las um diferencial de mercado. A partir de determinado momento, as informações adquiridas passam a constituir e a estruturar um repertório de experiências que poderão ser usadas no futuro para resolução de problemas e informações que oferecem conhecimento de causa que resultam em credibilidade.

Segundo Dolabela (2002), as habilidades são comportamentos influenciados pelos valores que constituem o indivíduo, eles coexistem tanto no âmbito profissional quanto pessoal e são inseparáveis.

2.2  Os valores comportamentais intervenientes nas decisões

Torna-se oportuno revelar os valores comportamentais que norteiam e interferem nas decisões de qualquer profissional. O empreendedor necessita reconhecer os tipos de valor que estarão agindo em suas decisões, face à relação na organização. Desta forma, passa-se a definir cada tipo, partindo da definição básica de Valores. Entendidos como as bases formadoras da visão de mundo de cada indivíduo, os valores podem determinar as diretrizes de uma empresa e seu posicionamento no mercado. As decisões tomadas sempre recebem a influência dessa série de estruturas formadoras.  A seguir, enumeram-se os tipos de valores:

– existenciais – São os que determinam as condições de existência do indivíduo. Para o empreendedor a empresa representa uma possibilidade de alcançar os padrões de existência ao qual aspira, como uma boa escola para os filhos ou uma casa na praia.

– estéticos – Estão ligados às questões sensoriais e de expressão estética que tem como reflexo a organização, limpeza e ordem.

– intelectuais – São os que designam a aplicação prática do conhecimento obtido, além de direcionar o ritmo de crescimento e inventividade. Quanto maior a busca por informações, a possibilidade de crescimento do know-how para a inovação será maior.

– morais – São ligados às regras da vida social e à aplicação de seus princípios. O empreendedor ligado a estes valores percebe na empresa um papel muito mais social do que comercial.

– religiosos – São os ligados à espiritualidade e às formas de lidar com situações dentro do empreendimento. Os dogmas podem designar como ele trabalhará com certas questões no âmbito profissional.

2.3 O perfil do gestor empreendedor

Algumas características delineiam o perfil do empreendedor, segundo Dolabela (2002), entre as quais algumas voltadas às habilidades natas ou desenvolvidas, bem como a comportamentos inovadores que se expressam por atitudes, também observando suas necessidades e da empresa.

O empreendedor distingue em um cenário confuso, possibilidades e oportunidades de negócio, pois traz em si o poder de análise, reflexão e crítica como forma de pensar e agir. Já que possui uma visão macro da vida e das relações interpessoais, pois constituem o fator imprescindível para quem quer se lançar no mercado. Essa visão diversificada e articulada treina o “faro” do empreendedor para os negócios. Assumir riscos faz parte do perfil empreendedor, porém, não é a principal característica de um empreendedor.

Possui um grande senso organizacional que o ajuda a organizar suas tarefas, de acordo com suas necessidades. Por isto, sabe perfeitamente lidar com o tempo, tanto do ponto de vista cronológico, como emocional; tem o poder de controle das suas necessidades.

O dinheiro não é a principal motivação para um empreendedor, o valor financeiro é apenas uma consequência de um bom trabalho. Ele vê no próprio negócio uma forma de realização pessoal e profissional. A realização pessoal é uma das principais motivações para o empreendedorismo, assim como a vontade de criar e inovar na área onde atua.

A pessoa que assume o compromisso de direcionar seu próprio negócio deve estar disposta a trabalhar muito e estar, sempre, muito bem informada sobre tudo. O domínio de assuntos referentes à sua área de atuação, pode atrair trabalho e garantir clientes, além de fazer com que esse empreendedor reúna uma série de elementos que poderão se tornar novas ideias no futuro.

              A referência e a inferência no mercado é uma ferramenta fundamental para dar credibilidade ao negócio. Relacionar-se às pessoas de diferentes lugares e áreas profissionais, abre os horizontes para novas ideias e oportunidades de novos negócios ou parcerias (Network). Ampliar o campo das relações, também, pode auxiliar na análise de problemas, na medida em que eles podem e são analisados, a partir de outras óticas e logo possuirão outras leituras.

2.4 Principais características do empreendedor

Sob a ótica empreendedora, pode-se destacar algumas características indispensáveis à sua formação. Vale a pena ainda reiterar que dentre as características, algumas estão diretamente relacionadas a uma postura de autoconduta, como se verá abaixo, conforme afirma Dolabela (2002):

  • Autoconfiança

O empreendedor confia no seu talento e nas suas apostas e, por isso, assume riscos, apesar de não ser sua intenção. Sua confiança é tamanha que persevera e, portanto, corre, arrisca;

  • Automotivação

Pessoa que possui uma estrutura consciente de trabalho e não precisa do “empurrãozinho” do chefe para iniciar ou concluir uma tarefa;

  • Criatividade

Sua visão ampliada e o conhecimento sobre sua área permitem a esse profissional, recolher e combinar novos e velhos elementos em benefício ao seu negócio seja na busca de novos mercados ou na solução de problemas;

  • Flexibilidade

Ele consegue entender e se adaptar a novos ambientes, aceitar mudanças. Aliás, ele tem claro que algo irá mudar;

  • Disposição

O profissional que se propõe a planejar e mover um negócio, com disposição de trabalhar por ele;

  • Perseverança

O empreendedor se mantém firme em seu propósito, apesar dos problemas, ameaças e armadilhas ao longo do caminho e possui a plena consciência de que o caminho do sucesso é longo. E o único modo de chegar até seu objetivo é persistindo;

  • Inteligência emocional

 Ele sabe como agir em situações adversas e se manter consciente dentro delas; tal postura é fundamental para a direção de um empreendimento;

  • Otimismo

O empreendedor sempre vê o trabalho como uma possibilidade de sucesso e os seus erros como um aprendizado;

  • Visão Empresarial

Estar informado sobre sua área é imprescindível para enxergar novos horizontes no mercado. Esse hábito de se manter atualizado, treina o olhar do empreendedor;

  • Visão Inovadora

O empreendedor deseja inovar sempre, buscar novas visões, mesmo que não leve à criação, mas a um tipo de novidade de solução, para um problema também novo.

3 O modelo comportamental na abordagem do empreendedorismo

Duas dificuldades para entender o fenômeno empreendedor consistem na não abordagem, por parte dos pesquisadores estudiosos do tema, de todo o conjunto que caracteriza o sujeito empreendedor. Isso significa dizer que, para o estudo completo da representação do empreendedor, é necessário que as pesquisas cheguem além das simples características empresariais e do perfil de personalidade.

A outra dificuldade da abordagem do empreendedorismo revela-se na Psicologia: é perceptível a falta de respostas concretas a respeito de alguns questionamentos e, ainda, o desafio maior para a Ciência da Administração é o pleno entendimento do comportamento do indivíduo, uma vez que inclui estudos e conhecimentos gerais de outras disciplinas como biologia, sociologia, educação, dentre outras, numa visão transdisciplinar.

Assim, entende-se que muitas características determinantes do comportamento estejam vinculadas às várias áreas.

3.1 As características determinantes do comportamento

Para se entender os aspectos que determinam o comportamento das pessoas, precisa-se conhecer características como: as necessidades, o conhecimento, as habilidades e os valores que interferem e determinam suas atitudes como indivíduo e atores sociais.

 Necessidades – quando ocorre um desequilíbrio interno da pessoa, seja por satisfação ou frustração. Para Bergamini (1992), necessidade é uma condição que acaba por pressupor determinados comportamentos humanos. Já Maslow (apud Bergamini, 1992) encara a existência de diversas classificações filosóficas acerca da necessidade, dentre elas a fome, a sede e o sono. Pode-se afirmar que a necessidade, embora se relacione a estados internos, está diretamente ligada à ação, quando se entende que há uma presença de estímulos externos para a atuação do sujeito. Sendo assim, Bergamini, baseando-se em Maslow, aponta as necessidades como inculcadas num processo em curso e ainda afirma existir uma certa “hierarquia das necessidades”, produzida espontaneamente no interior do ser humano, aspectos que serão tratados a seguir, ao traçar o comportamento do Gestor empreendedor.

 Conhecimento – é aquilo que as pessoas sabem a respeito de si mesmo e do ambiente de que faz parte. O conhecimento sofre influências do meio, das necessidades e das experiências de cada pessoa. Para Piaget (apud Bergamini. 1992) conhecer não consiste em copiar o real, mas em agir sobre ele e transformá-lo, de modo a compreendê-lo. Segundo ele, existem três formas de conhecimento:

  1. a) conhecimento experimental – conhecimentos adquiridos graças às experiências físicas sob todas as suas formas;
  2. b) conhecimentos estruturados – segundo uma programação hereditária (visão das cores, visão em três dimensões). Estes conhecimentos permitem construir o mundo físico, da experiência física sob todas as formas, permitindo assim que se extraia ciência sobre não somente o objeto em si, mas também das ações que desempenhamos sobre eles;
  3. c) conhecimentos lógicos-matemáticos – responsáveis pela coordenação exercida pelo sujeito sobre os objetos.

Habilidades – é a facilidade para usar as capacidades. Manifesta-se por meio de ações executadas, a partir do conhecimento e de experiências anteriores (memorizações) da mesma ação do próprio indivíduo, possuindo relação direta com a formação de competências, conforme foi demonstrado anteriormente.

Valores – conjunto de crenças e suposições. Os valores individuais acabam por desenvolver as características, também culturais, dos próprios indivíduos. O valor é uma concepção de algo desejado, implícita ou explicitamente, que interfere na seleção dos meios e dos fins da ação humana. A maioria dos estudiosos acredita que há três componentes vitais que constroem os valores: o primeiro de natureza cognitiva, capacidade em adquirir conhecimento, pois o processo de valoração implica, em síntese, em um processo de abstração e avaliação; o segundo é de natureza afetiva e, por fim, um componente de ordem comportamental. Vale ressaltar que os valores são classificados como valores existenciais (saúde, alimentação, salário), valores estéticos, valores intelectuais, valores morais (conjunto de doutrinas) e valores religiosos, conforme foi apresentado no capítulo anterior, para situar os valores que interferem nas decisões nas organizações.

3.2 O processo comportamental

            O comportamento humano é a resposta oferecida pela pessoa para suprir um determinado evento anterior, segundo Bergamini (1992). O processo comportamental é uma representação das etapas que o indivíduo percorre para responder a uma ação. Tais etapas consistem em:

Evento – é qualquer acontecimento interno ou externo ao indivíduo, capaz de gerar um estímulo e, consequentemente, um comportamento.

Percepção – é o que determina a existência ou inexistência de um estímulo. O indivíduo organiza, interpreta e traduz as informações. Sendo assim, essa etapa – percepção – acaba por compreender o comportamento humano, uma vez que se entende que na análise da informação a pessoa seleciona os futuros estímulos, de acordo com sua necessidade e desejo, e ainda, é através desse processo que elas constroem sua própria realidade. É com base no que é percebido que o ser humano raciocina, decide e age.

Estímulo – é a oportunidade de satisfazer uma necessidade ou desejo através de uma ação-resposta.

Motivação – é um impulso fundamental para produzir um comportamento. Há, sem dúvida, níveis de motivação. Por exemplo, se foi detectado que o evento permite suprir uma necessidade, o indivíduo estará motivado, na medida em que tal necessidade esteja num estado de prepotência maior. Alguns estudiosos acreditam que a motivação é um ciclo que tem início na manifestação de uma necessidade. Segundo Bergamini, “a motivação é função tipicamente interior a cada pessoa, como uma força propulsora que tem suas fontes, frequentemente, escondidas no interior de cada um…”.

Geração de alternativas – é o conjunto de ações para satisfazer as necessidades. Comprova-se, assim, que o ser humano tem a capacidade de alterar e moldar experiências anteriores. Para gerar estas alternativas, o indivíduo utilizará o conhecimento e as habilidades, e o esforço do sujeito estará diretamente ligado ao grau de motivação.

Decisão – é o processo de escolha dentre as alternativas anteriormente citadas. Essa decisão ocorrerá com base nos valores do indivíduo e, também, influenciada pela cognição e experiências passadas. A alternativa escolhida é aquela que supre as necessidades e está de acordo com o quadro pessoal de valores, lembrando que as necessidades estão ligadas ao interior, e os valores são adquiridos a partir do convívio com a sociedade.

– Resposta – é o processo de execução da alternativa escolhida e, logo, é também o processo de revelação do comportamento. É a ação de busca da satisfação.

3.3 O comportamento do Empreendedor

Diante da análise do modelo do processo comportamental, acredita-se que o empreendedorismo em si é o instrumento utilizado pelo indivíduo empreendedor para satisfazer suas necessidades, porém, de acordo com seus valores, conhecimentos e habilidades. O empreendedor possui necessidades que interferem no seu comportamento. De acordo com Bilre e Whesthead (apud Bergamini, 1992), são sete os tipos de necessidades:

de aprovação – é a necessidade que todo indivíduo tem de possuir uma alta posição na sociedade, com o intuito de receber status, ou seja, reconhecimentos perante amigos, familiares.

de independência – é a necessidade de autonomia por parte do sujeito. O empreendedor gerencia seu próprio negócio, por isso, necessita dessa liberdade para impor seu próprio enfoque de trabalho.

de desenvolvimento pessoal – é a necessidade de crescer, aperfeiçoar-se. Essa necessidade faz com que o empreendedor seja sempre inovador e atento as inovações globais.

de segurança – é a necessidade que o indivíduo tem de se proteger.

de autorrealização – é a necessidade que as pessoas têm de alcançar sucesso pessoal, por meio de suas ações e atitudes.

de necessidades renovadas – o indivíduo empreendedor também possui necessidades diferentes e com níveis de predominância diferentes. E, ainda, se uma necessidade foi suprida, surge então uma nova necessidade, evidenciando o ciclo motivacional do comportamento.

de formação técnica e realização profissional – o empreendedor, além de outros fundamentais e diversos conhecimentos, deve possuir experiência na área comercial e possuir conhecimento dos aspectos técnicos relacionados ao negócio, para que se sinta apto e realizado na sua área de atuação.

4 O perfil empreendedor e mudanças de comportamento – a formação do empreendedor

Para focalizar o perfil empreendedor e as mudanças de comportamento para a formação de um empreendedor, com vistas à inovação, torna-se necessário mencionar os aspectos de mercado que fomentam uma formação mais progressista, experiencial e inovadora, de sorte que só com mudanças educacionais se consiga moldar o perfil que o mercado, as ocupações e a sociedade estão a exigir.

Algumas evidências são constatadas quando se analisa o contexto atual do mercado de trabalho. Nos anos 90, particularmente, a partir de 1995, houve um aumento na taxa de desemprego. Os dados da Pesquisa Mensal de Emprego – PME (2006), do IBGE, mostram que a média anual da taxa de desemprego passou de 4,8% para 7,5% entre 1991 e 1999, com uma significativa mudança de patamar a partir de 1998, o que caracterizou, também, os anos de 2000 a 2006, bem como, possivelmente, os demais anos.
A questão clássica que se coloca diante da evolução da taxa de desemprego é saber se a sua oscilação pode ser explicada por pressões de oferta ou de demanda. Contudo, não existem dados que possam comprovar isso, mas um alerta se impõe: isto poderia indicar que o crescimento observado na taxa de desemprego poderia estar mais associado a restrições do lado da demanda por trabalho, o que significaria falta de formação adequada e preparo profissional.

São muitos os fatos que revelam as necessidades de mudança na formação profissional. Diante de tal constatação, as instituições educacionais, escolas, institutos de formação e preparação profissional e universidades ou não, são chamadas a rever suas disposições de ensino, com vistas a um olhar para formação do perfil  empreendedor, tanto da parte da gestão educacional, como em relação às atividades docentes que envolvem a didática e os procedimentos acadêmicos de avaliação, das matrizes curriculares, da condução das aulas, do desenvolvimento de competências e habilidades, levando à mudança de atitudes e da aplicação de conteúdo. Esta é a Responsabilidade Social que a escola toma para si, em oferecer um modelo de formação sustentável, diante de um cenário social complexo e dinâmico no campo das atividades de trabalho e ocupações, e na própria vida de qualquer cidadão.

Assim, muitas mudanças comportamentais são exigidas a egressos das escolas, cada vez mais uma atitude proativa, de  educação continuada e visão polivalente de tudo que está a sua volta. Porém, só com  mudanças significativas na Educação do país, desde a educação fundamental e média até a superior em todas as suas variedades, pode-se transformar essa realidade.

5 Habilidades e competências empreendedoras desenvolvidas pela educação

No momento atual da educação brasileira, muito se fala sobre Competência, Habilidades e Atitudes. A questão que se coloca, para o foco deste estudo, não está nos tipos de competências e habilidades que um empreendedor necessita ter para atender às demandas de mercado e de sua própria vida, mas reside na forma de como se desenvolvem essas habilidades e competências. A metodologia de desenvolvimento é o primordial a ser discutido, não só nas ações acadêmico-didáticas, mas também nas ações sociais que permitam viver melhor, saber ser e agir em sociedade.

Segundo Andrade (2010), a formação profissional exige como princípio norteador uma visão holística e generalista que pressupõe um conjunto de competências para a identificação e a solução de problemas, vivenciados nos diversos ambientes organizacionais, pessoais e sociais.

As Habilidades e Competências empreendedoras estão na absorção de conteúdos, saberes específicos da respectiva área de atuação, bem como outros saberes, e na capacidade de aplicar esses conhecimentos na vida prática no “momento oportuno”.

Seria como se o empreendedor, durante seu período de formação específica, acadêmica, fosse abastecido de conhecimentos e coordenado por práticas que, ao longo do tempo, o capacita a articular os conhecimentos adquiridos no meio acadêmico com as situações que se montam fora desse espaço (contextualização). Esse é o processo de construção de uma percepção de uma sensibilidade. Segundo Moretto (2004):

As habilidades estão associadas ao saber fazer: ação física ou mental que indica a capacidade adquirida. Assim, identificar variáveis, compreender fenômenos, relacionar informações, analisar situações-problema, sintetizar, julgar, correlacionar e manipular são exemplos de habilidades. Já as competências são um conjunto de habilidades harmonicamente desenvolvidas e que caracterizam, por exemplo, uma função/profissão específica: ser arquiteto, médico ou professor de química. As habilidades devem ser desenvolvidas em busca das competências. Embora muitas dessas práticas pedagógicas ainda estejam no plano das tendências, alguns aspectos da formação básica e acadêmica começam a ser revistos e reparados. (p.43)

A educação tradicional tem seu foco no professor como principal instrumento difusor do conhecimento e o aluno como um recipiente vazio, a ser preenchido por esses conhecimentos transmitidos. Essa prática é voltada para uma mera aquisição de conteúdos que não consegue direcionar o aluno para uma formação crítica e autônoma, pois tira dele a possibilidade de interação com o conteúdo transmitido e de uma possível produção de sentido em aula. Essa relação de passividade (aluno-professor) implica a impossibilidade de um feedback em sala de aula, a submissão o imobiliza para tomar qualquer decisão por si mesmo, pois está extremamente conectado ao conhecimento “absoluto”, apreendido em sala de aula. (ANDRADE, 2010)

Os aspectos da nova formação orientam o professor a estabelecer uma relação de troca com alunos dentro de sala (feedback), além de direcionar seus conteúdos e práticas para a autonomia e à formação do pensamento diversificado e crítico.

Assim, para formar e preparar o Empreendedor, há de se realizar mudanças educacionais significativas. Tendo como base o que diz Perrenoud (2002), pode-se estabelecer alguns aspectos pontuais dessas mudanças:

  • A nova formação pode ser encarada como construtora da visão empreendedora, pelo fato de privilegiar a autonomia e a cooperação entre informação, ação, vida e prática;
  • Ela desperta no aluno, por meio de suas práticas interativas, a vontade de aprender a aprender;
  • Propõe a transmissão do conteúdo de forma contextualizada, interdisciplinar e transdisciplinar. Essas três práticas trabalham em cooperação, articulando o conhecimento de sala de aula com o cotidiano como em uma cadeia;
  • Os conteúdos intercruzados e aqueles unificadores de temas constituem a mola mestra da interdisciplinaridade e da transdisciplinar idade;
  • O interrelacionamento entre os conteúdos das disciplinas configura a interdisciplinaridade.
  • Introdução de conteúdos em qualquer área de formação, a fim de construir bases teóricas a relacionar à prática;
  • As leituras e análises multifacetadas, numa visão transdisciplinar, de um mesmo tema ou “objeto”, proporcionam uma visão mais ampla e polivalente daquilo que se pretende estudar e aprender em qualquer processo educacional, seja na escola, seja na vida profissional;
  • Os conteúdos impregnados da realidade do aluno demarcam o significado pedagógico contextualizado;
  • A contextualização imprime significados de relevância aos conteúdos escolares;
  • A Interdisciplinaridade e a Transdisciplinaridade explicitam os conteúdos contextualizados;
  • Os processos empregados ajudam no autoconhecimento e estimulam a autonomia;
  • Os Métodos de ensino experienciais serão de grande valia para formação do empreendedor;
  • O Método de ensino pela Pesquisa e no Estudo de Casos se coloca bem na lógica da formação do perfil empreendedor, uma vez que propicia o relacionamento teoria e prática, com base na realidade ou numa situação.

Por fim, torna-se importante destacar que, na última década, o conteúdo do empreendedorismo tem preocupado alguns estudiosos e instituições de ensino. Contudo, enfatizam que a possibilidade de se ensinar às pessoas a serem empreendedoras e, sobretudo, de se desenvolver, só ocorre em   condições diferentes das que se tem no ambiente de ensino tradicional. É preciso circunstâncias que permitam o auto aprendizado.

No entendimento de Leite (2001), uma educação empreendedora requer que os alunos tenham exposição substancial com a “mão na massa” e tenham experiência com o empreendedorismo e o mundo de empreendedores, o que significa dizer que a prática é um elemento fundamental.

A autora comenta que a maioria dos cursos de empreendedorismo oferece mais ênfase no conhecimento ou na informação e pouca ênfase na competência, em métodos de aprendizado individual em pequenos grupos, como em times de projetos, trocas entre colegas, consultoria entre pares e workshops.

O perfil discente empreendedor deve enfocar a visão constante de estar aberto às mudanças que a cada dia vão surgindo, percebendo que sempre se está aprendendo e que se deve aprender.  O conhecimento não para, a renovação e a tecnologia também não. Em suma, a única certeza é que mudar é o garantido e certo, daí a importância da inovação.

6 Uma nova metodologia educacional sustentável para formar empreendedores 

Pontuar habilidades e competências não basta, para a formação adequada do egresso de hoje da Escola como instituição educacional de preparação do atual e futuro. É preciso um conjunto de procedimentos e processos, para que se desenvolvam as características do novo profissional que a sociedade atual tanto necessita e o mercado de trabalho sinaliza. Cidadãos e Profissionais capazes de atuar em grandes, médias e pequenas empresas, ou sobreviver sem o emprego tradicional, criando seu próprio negócio. Assim, apresenta-se aqui, uma proposta viável de aprendizagem acadêmica.

Este método consiste na oportunidade que é dada ao aluno de refletir, sistematizar e testar conhecimentos teóricos e instrumentais aprendidos durante o processo educacional. Essa testagem está relacionada diretamente a um conjunto de habilidades, conhecimentos, atitudes e valores que permitam resolver problemas encontrados no dia a dia. Assim, como se percebe, a aproximação entre a teoria e a prática deve ocorrer em função de meios científicos que tragam resultados satisfatórios para solução de problemas empíricos, de acordo com as especificidades de cada empresa, do todo organizacional ou de cada cenário.

6.1 Um modelo teórico

Só a educação planejada e inovadora pode desenvolver a formação gestora para sustentabilidade como profissional e cidadão. Assim, é preciso buscar um modelo em que a aprendizagem surja da prática. Entre alguns, pode-se partir do modelo de Kobe, não como única saída, mas como um passo na direção da preparação desejada.

Segundo Kobe (1984), há quatro etapas para a concretização do processo de aprendizagem e da solução de problemas, ou seja, “[…]a experiência concreta é seguida por observação e reflexão que levam à formação de conceitos abstratos e generalizações que levam a hipóteses a serem testadas em ações futuras, as quais levarão a novas experiências”. Assim, tem-se:

Fonte:    Kobe (1984)                                             

Seguindo este raciocínio, as empresas deveriam manter um contato mais estreito com as Escola e com a pesquisa, por meio da aplicação do Modelo de aprendizagem pela experiência por problemas nas organizações (Kobe, 1983). Por sua vez, não há como se formar profissionais para mercado de ocupações e de trabalho, sem a experiência concreta. A mediação das empresas na formação do aluno é fundamental. Como também é responsável socialmente, deve abrir suas portas aos estudantes, a fim de contribuir para melhor preparo do futuro profissional.

A aprendizagem pela experiência, portanto, vivencial e problematizada, daria à formação discente o impulso necessário à criação e ao desenvolvimento de habilidades empreendedoras sólidas, propiciando atitudes expressas em ações pessoais e sociais, com a finalidade de sucesso profissional, pessoal e, principalmente, coletivo (LEITE, 2002). Fato que se daria não só em nível superior, mas também e principalmente, em nível técnico e médio de ensino.

Contudo, para que o modelo se estabeleça é necessária uma nova proposta de ensino, com novos métodos e técnicas que encaminhem a uma formação mais generalizante, global, sem fragmentação dos vários saberes, cuja construção epistemológica seja transdisciplinar e interdisciplinar em seus conteúdos e das habilidades a desenvolver.

Considerações Finais

Pode-se destacar alguns aspectos relevantes sobre o formar para empreender. Contudo, como primeira e destacada menção, deve-se afirmar que a construção do perfil empreendedor é uma missão de qualquer ação educacional sustentável que almeje formar pessoas para a sociedade de hoje e para atuar como profissionais no mercado atual, com expressiva dinâmica e complexidade de mudança, com constante anseio pela inovação e, fundamentalmente, para um contexto socioeconômico sem empregos.

O empreendedorismo pode ser uma característica nata ou desenvolvida. Ele pode ser aprendido, porém, não pode ser ensinado. Um conjunto de ações educativas pode desenvolver habilidades e atitudes que construam o perfil de um Empreendedor em qualquer área de formação e preparação, contudo, é certo: é preciso um modelo de aprendizagem que mude comportamentos, que leve em conta valores e foque as necessidades contemporâneas do indivíduo, da empresa e da sociedade.

Pontuar habilidades e competências não basta, para a formação adequada do egresso de hoje da Escola, é preciso um conjunto de procedimentos e processos, para que se desenvolvam as características do novo profissional que as empresas de hoje tanto almejam, o mercado de trabalho sinaliza e a sociedade clama como cidadão. Pessoas capazes de atuar em grandes, médias e pequenas empresas, ou sobreviver sem o emprego tradicional, criando seu próprio negócio.

As habilidades expressas em várias competências necessárias ao novo profissional e cidadão verificam-se, todas elas, nas características do espírito empreendedor como: iniciativa, criatividade, atuar e refletir criticamente, adaptabilidade, conscientização de um trabalho de qualidade, trabalhar em equipe ou times, autoavaliação, ter formação humanística e técnica, valorizar o tempo, empreender, vislumbrando a transformação, desenvolver capacidades, ter interesse em sempre aprender, entre outras.

As bases do empreendedorismo, o perfil empreendedor, são uma articulação complexa de conteúdos, habilidades, competência e de um conjunto de práticas que são desenvolvidas ao longo de determinado tempo. Essa formação não possui uma “fórmula pronta” e não atende ao imediatismo da sociedade do momento, ela é aprimorada, por práticas que estimulem a autonomia, o autoconhecimento, a contextualização e a articulação entre diferentes áreas e sua  adaptação a novos ambientes entre outros aspectos. É uma construção e, neste sentido, a educação atua, desenvolvendo novos métodos de ensinar e aprender,  novas práticas pedagógicas, baseadas na relação teoria e prática, na exercitação de casos reais contextualizados e vivenciados, nas ações interdisciplinares e transdisciplinares do aprendizado.

Nesta lógica, o ensino a distância, bem como as ações de ensino-aprendizagem, e-learning, se coloca como instrumental educacional, com vistas à construção do conhecimento e de uma formação mais autoformativa e interativa.

A formação dos cursos de gestão deve se pautar em preparar egressos para gerir seus próprios negócios e para desenvolver o perfil empreendedor, de forma a atuar de forma inovadora e criativa em qualquer espaço organizacional.

Por fim, cabe destacar a importância de se conhecer e estudar formas de se construir uma educação para o sustentável, pautada no empreendedorismo, como forma, senão a única, de se garantir a formação e a preparação de pessoas para a inovação e a sobrevivência.

Referências

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