Ultimamente, alguns autores vêm fazendo críticas ao conceito de arquitetura de negócios (AE). Esse conceito que estava um tanto estabilizado parece que voltou a ficar com uma visibilidade maior, principalmente, a partir de posicionamentos a favor e contra a adoção dos sistemas ERP (Enterprise Resources Planning), nas organizações.

O conceito básico de arquitetura de negócio pode ser entendido como “um conjunto organizado de elementos com claros relacionamentos entre si, que juntos formam um conjunto definido de suas funções. Os elementos representam a estrutura organizacional e comportamental de um sistema de negócios e mostram abstrações dos processos e estruturas chaves no negócio” (Rational, Vernadat e outros autores interessados no assunto).

As características principais da arquitetura de negócios podem ser resumidas nos seguintes tópicos: captura o negócio real o mais correto e confiável possível; define uma estrutura que é realista e viável para implantar os objetivos do negócio; foca nos processos e estruturas chaves do negócio em um nível apropriado de abstração e representa uma visão consensual entre as pessoas que fazem o negócio funcionar (Clarindo);

Para que tais características possam ser úteis à organização é preciso ter uma boa compreensão desses componentes (recursos, processos e regras) e dos seus objetivos. Também é preciso ter condições de avaliar a importância da TI (Tecnologia da Informação) no desenho de toda a arquitetura corporativa (FINITO).

A Arquitetura de Negócios é, portanto, um instrumento que é utilizado para aprimorar a “gestão corporativa”, com o uso intensivo da TI e tem como objetivo a interpretação rápida das necessidades da organização para que se crie e obtenha um processo decisório eficiente.

Tal como a maioria desses instrumentos, algumas contradições podem ser observadas. Dentre elas é possível verificar: a influência da TI nesta arquitetura em contraposição à complexidade de implantação dos ERP, a reação de autores em não admitir a AE como uma nova especialidade e a pressão para a adoção de outros instrumentos técnicos e metodológicos mais adequados para alcançar os fins desejados pelas organizações.

O primeiro ponto é a dificuldade que várias organizações tiveram e ainda têm para implantar e manter os sistemas ERP. As principais queixas vão desde projetos que são elaborados com escopo muito abrangente, passam por software inadequado para o setor, projeto não absorvido pela cultura da empresa, dificuldade de integração com aplicações legadas e vão até implantações efetuadas com funcionalidades desnecessárias.

A segunda situação diz respeito à própria existência do conceito. Para alguns autores a arquitetura de negócio já é usada há muito tempo. Conforme relata Harmon, os seus seguidores “parecem estar engajados no esforço de desenvolver uma nova prática e, estão inventando termos para conceitos já estabelecidos com base em outros nomes”. Tal busca por nova “especialidade” de cunho mais técnico, estaria criando muita confusão tanto na prática (uso de metodologias) quanto no domínio e na abrangência teórica já há muito tempo estabelecida pela Gestão de Processos de Negócio (BPM).

A terceira contradição pode ser resumida na idéia de que os sistemas integrados estão sendo substituídos pelos processos integrados. Segundo a Unipress a “arquitetura que vai substituir os tradicionais sistemas integrados empresariais (ERP), é a de uma plataforma de integração baseada nos princípios, recursos e ferramentas orientadas a processos e serviços (componentes autônomos)”.

Esse descolamento dos sistemas ERP daria às “arquiteturas de negócio”, por um lado, e para as organizações, por outro, muito maior flexibilidade para tratar dos problemas atuais, devido às características de independência, de interoperabilidade e de inter-relacionamento, próprias dos processos.

Sabemos que a TI foi e continua sendo muito importante para as organizações e a gestão de processos. Podemos observar também que a AE, de alguma forma, sempre esteve associada à adoção dos ERP. Sabemos que os sistemas ERP foram bem sucedidos em várias empresas e, notadamente, em processos da categoria produção e burocrático (Gonçalves). Não há dúvidas também que existem diversas empresas que não conseguiram utilizar de forma consistente esses sistemas. Temos que levar em consideração que a idéia da arquitetura de negócios, pela sua definição, é questionada por essas diversas situações.

Diante desses fatos, apresentamos as seguintes questões:

a) Será que há uma discussão correta entre os arquitetos de negócio e os gestores de processos de negócio?

b) Será que existe uma intenção real, liderada pelo pessoal de TI, de criar uma nova especialidade, que abrange todos os aspectos das organizações e os seus negócios (Paul Harmon)?

c) Será que, na verdade, esses conceitos não devem ser complementares?

d) Não estariam de fato os sistemas integrados se tornando, com base na TI, processos integrados? E, além disso, suportados, também, pelo BPM?

Bibliografia

Harmon, Paul. Capability and process. Artigo Site: www.BPTrends.com – Agosto 2011.

Pádua, Clarindo Isaías. Modelagem da arquitetura de negócios. Gestus. UFMG. 2001.

Unipress. O fim dos ERPs. Artigo publicado por ADM Arquitetura Empresarial e de Negócios. Abril, 2011.

Finito. Arquitetura de negócios. Artigo publicado em Arquitetura. Modelagem de Negócio. Outubro 2010.

Gonçalves, José Ernesto Lima. As empresas são grandes coleções de processos. São Paulo: RAE – Revista de Administração de Empresas – v.40, nº1, p. 6-19, jan. / mar. 2000.