As palavras moral e ética são sinônimas, perfeitamente intercambiáveis por suas acepções comuns advindas do latim e do grego. Ambas se referem aos costumes. Mas, concordemos, uma palavra não vale como conceito. Assim, referenciado por Kant, entenda-se moral “por tudo o que se faz por dever” e por ética “tudo o que se faz por amor”.

É claro que a moral e o amor quase sempre nos estimulam às mesmas ações. Mas aqui a ética funciona para complementar ou para abrir ainda mais a Ordem Moral. A Ordem Ética é a Ordem do Amor.

É na Ordem Ética ou na Ordem do Amor que se encontram o amor à verdade, o amor à liberdade, o amor à humanidade ou o amor ao próximo.

O amor intervém, portanto, na Ordem  Tecnocientífica , na Ordem  Juridico-Politica ou Institucional-Legal, e na Ordem Moral sem  aboli-las, e muito mais como motivação para o sujeito do que como regulação para o sistema.

Por exemplo: na economia o amor ao dinheiro ou ao bem-estar tem o seu papel, é claro, mas não basta para proporcionar nem a riqueza nem o dolce-farniente de uma vida de confortos.

Do mesmo modo, o amor à verdade pode ser uma motivação importante na Ordem Tecnocientífica, especialmente para os cientistas em seus laboratórios, mas não substitui a demonstração cientifica e a comprovação técnica das pesquisas e dos avanços do conhecimento.

Tampouco o amor à liberdade na Ordem Jurídico-Política ou Institucional-Legal basta para assegurar a democracia numa sociedade.

O amor ao próximo só tomaria o lugar da moral se pudesse existir sem ela, se reinasse entre os homens em sociedade, o que está, infelizmente, muito longe de acontecer. Isto se um dia puder acontecer, o que não parece minimamente provável num horizonte de tempo previsível. Afinal, se o homem tivesse jeito 2000 anos depois de cristo estaria tudo resolvido, não mais viveríamos neste vale de lágrimas, mas no paraíso da humanização.