Juramento do Administrador
“Prometo dignificar minha profissão, consciente de minhas responsabilidades legais, observar o Código de Ética, objetivando o aperfeiçoamento da Ciência da Administração, o desenvolvimento das Instituições e a grandeza do Homem e da Pátria”.

Em 09 de setembro de 2020, um ano atípico, comemoramos 55 anos da regulamentação da profissão do Administrador, um profissional que tem competência para planejar, organizar, dirigir e controlar as atividades no sentido de decidir, identificar e tomar decisões nas empresas e organizações.
Nossas competências vão além dos muros das organizações, quando são analisados os cenários externos, juntamente com a realidade interna dessas instituições, no sentido de correlacioná-los e formular as estratégias para atingir os objetivos das empresas.


Constantemente somos percebidos como “coadjuvantes”, com conhecimentos que ajudam aos “protagonistas”, ou seja, os que estão em cargos decisórios, muitas vezes sem a competência devida. O campo da Administração é vasto com especializações importantes para o sucesso das organizações, porém as funções são delegadas a profissionais que precisam dessas especializações para atuar nos processos inerentes aos dos profissionais de Administração.

Nesse contexto, há uma timidez de alguns profissionais de Administração em pelo menos demonstrar o que são e como são capazes. É preciso sairmos da zona de conforto e fazermos valer nossos direitos profissionais. Sair em busca do nosso espaço para atuar nos processos inerentes a essa importante Ciência para a sociedade e para o país.

Como integrante da Comissão Especial de Administração em Serviços de Saúde do CRA-RJ, percebo que a área vem sendo ocupada por diversos profissionais, não havendo lugar para os profissionais de Administração nas mesas decisórias nas Unidades de Saúde.  Encontramos médicos, enfermeiros, fonoaudiólogos, advogados e pedagogos, dentre outros, sentados nas cadeiras dos tomadores de decisão administrativa. Nascem assim as figuras de assessores administradores  para auxiliar esses profissionais das diferentes áreas.

As contratações nas empresas privadas seguem algum direcionamento para os profissionais de Administração.  Já na área pública, a indicação política é a forma mais utilizada para compor o quadro executivo e mesmo o operacional das Unidades de Saúde. Não há um olhar voltado para a performance da qualidade em processos, como Planejamento, Logística, RH, Hotelaria Hospitalar, Faturamento, Informacionais,  dentre outras.

Observamos recentemente os problemas causados pela falta de planejamento, determinando o alto custo da falha, afetando a economia, quando não se prevê e planeja conscientemente, tendo como resultado o prejuízo social. Também há informações de que existe um estoque de medicamentos no país superior a necessidade para o tratamento da doença que assola o mundo, mais um custo da falha e do controle, que precisará de estratégias focadas em Planejamento e conhecimento das necessidades do Sistema.

Recentemente também foi vinculada a oportunidade de outros conselhos de classe da área de saúde, convidados por órgãos decisórios para participarem de estudo de plano de cargos e salários na área.  Esse é um instrumento normativo (IN), cuja elaboração é exclusiva de um profissional de administração com capacitação em RH. Em outro momento esses instrumentos, tão importante para a gestão de pessoas, estão sendo delegados a profissionais e consultorias que utilizam produtos de prateleiras, sem levar em conta cada característica das organizações de saúde.
Em uma Unidade Hospitalar estão inseridas várias empresas,  com processos definidos. As áreas de apoio/meio deveriam ser mais valorizadas, principalmente,  em ter como responsáveis profissionais de Administração capacitados para atuarem nessas áreas. Todos devem conhecer a cadeia de valor das Unidades com técnicas e ter um olhar para essas instituições de saúde como um grande sistema aberto.

Em relação às informações em saúde, é outro processo que está delegado aos profissionais de TI, como os responsáveis. Com certeza, esses profissionais têm extrema importância para a apuração dos dados que lhes são informados. No entanto as análises desses dados devem estar voltadas para o controle e a avaliação na transformação dos dados em informação, sendo sim uma competência do profissional da Administração, principalmente na área de saúde, como um produto desse processo que suporte a tomada de decisão dos profissionais da assistência. Vejamos as subnotificações de doenças, a comunicação médico x paciente, médico x familiar dentre outros.

Estamos vivendo um momento pandêmico, que só veio agravar uma realidade. E não nos iludamos que só acontece em serviços públicos, mas também em serviços privados.
Embora a categoria do Administrador hospitalar tenha espaço, os profissionais devem ter graduação em Administração de empresas e habilitação em gestão hospitalar. Quando observamos os cursos de MBA, especialização e pós-graduação em Gestão de Saúde disponível, quem já teve oportunidade de participar como docente observa o grande número de médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde se profissionalizando em gestão.  Nasce aqui a concorrência com profissionais dedicados e interessados em conhecimento.

Segundo Martins, 1999, p.24, a” Administração é vista […] como processo de planejar para organizar, dirigir e controlar recursos humanos, materiais, financeiros e informacionais visando à realização de objetivos”. O termo gestão surge da necessidade de mudança de uma visão tecnicista da Administração, incorporando as funções da administração aos momentos social, político e cultural. Aparece nesse conceito a interdisciplinaridade fundamentada na política, dentre outros aspectos.

Enquanto a Administração foca nas funções para atingir eficiente e eficazmente os objetivos da empresa/organização, a gestão foca nas pessoas, lançando mão dos conhecimentos e das funções para atingir da mesma forma os objetivos.

Mais uma vez observamos a importância da Administração para os “novos” gestores, o que confirma a competência do profissional de Administração com uma visão interdisciplinar e, na área de saúde multiprofissional. Uma área onde cada profissional tem seu espaço de atuação sendo importante para o sistema e para a entrega do produto ao cliente/paciente.

Faz-se  necessária a  capacitação continuada dos profissionais de administração no sentido de atualização,  para se manterem nesse mercado competitivo, onde se observa que atualmente, qualquer profissional se sente capaz de administrar. Aparece também a necessidade de revisão da grade na graduação em Administração, inserindo disciplinas inerentes a área de Saúde.

Nesse mês do Administrador, desejo a todos os colegas que façamos valer nossa capacidade como profissionais de uma ciência importante para o momento que passa o país, valendo nosso juramento, com ética, compromisso e respeito aos demais profissionais e ganhar o mercado mostrando nosso valor.

Tenho orgulho de ser Administradora, ser uma profissional de saúde e fazer parte desse Conselho que, de perto,  posso ver sua atuação para o melhor da profissão e da Ciência da Administração.
Parabéns aos colegas.