11 de setembro de 2001. Nove anos se passaram desde o dia em que o mundo assistiu, estarrecido, ao maior e mais audacioso atentado terrorista da História.

As imagens levadas, pela televisão, a todos os quadrantes da Terra, no exato momento em que a tragédia se abatia sobre os Estados Unidos, mostrando os dois aviões americanos chocando-se com as Torres do World Trade Center, no espaço de 18 minutos, jamais serão esquecidos, pois foram imagens que abalaram o mundo. Com as Torres, desabaram ideais, princípios morais, pujança econômica, poder, supremacia, segurança.

Sob seus destroços 2819 mortos, incluindo homens e mulheres que trabalhavam nos inúmeros escritórios, bombeiros e policiais, membros das equipes de resgate e atendimento médico, além de 148 pessoas que viajavam nos dois aviões sequestrados. Quarenta minutos depois, exatamente às 9 horas e 43 minutos (hora local), outro avião que saira de Washington, com destino a Los Angeles, com 64 pessoas a bordo era atirado na ala oeste do Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, onde trabalhavam cerca de 23 mil funcionários. Incluindo os 64 passageiros do avião, mais 189 mortos.

Vinte e sete minutos depois, um quarto avião que decolara do aeroporto de Newark, em Nova Jersey, com destino a São Francisco, caía numa floresta da Pensilvânia, antes de atingir o alvo, depois que os passageiros, supostamente, dominaram os terroristas. Mais 44 mortos.

Em menos de duas horas de horror, diante dos olhos dos bilhões de habitantes do planeta, consumava-se o maior e mais audacioso ato terrorista de que se tem conhecimento.

A terrível tragédia mudou a paisagem de Nova York, hoje sem seus ícones. Mudou a vida de milhões de pessoas. A intranquilidade alastrou-se pelo mundo, mas a tragédia de setembro de 2001 mudou muito mais os Estados Unidos do que o resto do mundo. O pânico, aos poucos, deu lugar ao medo. Parecia a todos que o perigo iria continuar rondando o país, podendo ocorrer sob as mais variadas formas que a inteligência humana e a tecnologia direcionadas para o mal seriam capazes de criar.

Passados nove anos, os Estados Unidos, ainda sob um impacto que jamais será esquecido, está concluindo o projeto concebido pelo arquiteto Steven Davis, que assistiu à tragédia, da janela de seu apartamento, a 500 metros do local. Nas últimas semanas, os primeiros carvalhos, de um total de 400, começaram a ser plantados no Marco Zero, ao sul de Manhathan, onde existiam as Torres Gêmeas.

No outono do próximo ano, provavelmente, as folhas douradas e avermelhadas dos carvalhos, hoje plantados, encherão de luz e beleza o local do trágico acontecimento de 2001.

O canteiro de obras começa a mostrar o que irá acontecer no próximo ano, quando serão inaugurados um memorial homenageando as três mil vítimas, não só do atentado de 11 de setembro de 2001, mas também do atentado de 26 de fevereiro de 1993, e um museu que contará a história das tragédias. As Torres serão lembradas por duas piscinas, cujo formato reproduz, exatamente, a base dos edifícios e onde serão gravados os nomes das vítimas.

No museu subterrâneo, de 12 mil metros quadrados e 23 metros de altura serão lembrados não só a derrubada das Torres, como também, os ataques ao Pentágono e ao vôo United 93, ocorridos no mesmo dia fatídico.

A inauguração do memorial e do museu estão previstos para 11 de setembro de 2011. No museu, os visitantes poderão acompanhar a história dos atentados, por meio de imagens, textos e terão contato com elementos reais remanescentes no local, como por exemplo, uma parede de cimento e as bases de sustentação das Torres; o leito de rocha que permitiu que prédios tão altos fossem construídos; a escada dos sobreviventes, por onde muitas pessoas conseguiram fugir, e a última coluna de 11 metros, coberta com inscrições dos bombeiros e outros heróicos participantes dos resgates.

Os idealizadores do projeto deixaram espaços monumentais do museu sem informações didáticas, pensando que num futuro longínquo não haverá mais ninguém que tenha vivenciado a tragédia de 11 de setembro de 2001.

O museu terá que contar essa terrível história para as próximas gerações que a ela não assistiram e que, portanto, não têm a memória visual da tragédia.

Para isto, as informações didáticas serão complementadas com uma dimensão narrativa dos atentados.

Este museu terá uma grande carga emocional, porque está sendo construído no mesmo local onde ocorreram os atentados de setembro de 2001.

Tudo foi planejado para que, ao longo dos séculos, quem o visitar tenha condições de reviver a tragédia ocorrida em 11 de setembro de 2001, repudiando a, como o fizeram aqueles que assistiram, ao vivo ou pela televisão, àquele atentado, no primeiro ano do século XXI. Este museu será um libelo contra o ódio, a desumanidade, a barbárie e, ao mesmo tempo, será um apelo para que a paz reine entre os homens.

Passaram-se nove anos. Não há a menor dúvida de que o mundo mudou a partir daquela trágica manhã de setembro; mas parece que a humanidade, não.

Era de se esperar que, após o espetáculo dantesco provocado pelo criminoso ato terrorista, a humanidade passasse a valorizar a vida, a tranquilidade, a fraternidade, a solidariedade, o amor, a paz; mas não foi isto que aconteceu.

A morte, a insegurança, a falta de amor ao próximo e à própria vida, o egoísmo, o ódio, a destruição, a guerra foram presença permanente nos noticiários nesses nove anos, revelando que a humanidade não melhorou, como era de se esperar. Ao contrário, parece que a terrível tragédia fez aflorar o que há de pior no ser humano.

Os conflitos multiplicaram-se. A morte traiçoeira de inocentes prosseguiu. Os atos terroristas continuam acontecendo, praticados por homens e mulheres enlouquecidos pelo ódio. A violência é cada vez maior.

O que será preciso fazer para mudar a humanidade? O que será preciso fazer para que o amor volte ao coração de todos os homens, sobrepujando o ódio, tornando a humanidade melhor? O que será preciso fazer para que os homens preservem o planeta azul, a própria vida e a de seus filhos?

O legado do terrível ato terrorista de setembro de 2001, que enlutou o mundo, não pode ser esse futuro incerto que nos ameaça, esse futuro de sangue, lágrimas, destruição, sofrimento.

Mudar o comportamento dos adultos é difícil. Penso que a mudança da humanidade deve ser tentada, atuando sobre as crianças e os jovens, por meio de um intenso e mundial movimento de educação para a paz. Nessas mentes, nesses corações ainda há um fértil campo para a semeadura do amor, da concórdia, da fraternidade, da solidariedade, da paz.