Normalmente, recebo diversas mensagens sobre questões relacionadas à logística. Mas, no início de cada ano, uma das questões mais frequentes é sobre as tendências para o ano que se inicia.

Confesso que é um exercício prazeroso, mas não sei o quanto de assertividade tenho tido nas minhas previsões.

Sendo assim, gostaria de compartilhar com vocês, tendências que entendo que serão adotadas por algumas das cadeias de suprimentos que desejarem se destacar como um dos diferencias competitivos da organização.

  1. Operações responsivas e centradas no cliente

As cadeias de suprimentos precisarão responder, de forma rápida e precisa, às expectativas dos clientes.

Para isso, o aprimoramento dos processos de previsão de demanda, a possibilidade de oferecer produtos individualizados, a agilidade no ciclo do pedido (da entrada a entrega) e a visibilidade nas informações serão cada vez mais solicitados.

  1. Informação, um ativo valioso

A otimização dos fluxos de produtos continuará sendo de grande importância, mas a gestão do fluxo de informações e o seu uso de forma inteligente passam a exercer um papel fundamental para as organizações.

  • A colaboração entre todos os elos da cadeia de suprimentos demandará cada vez mais integração de informações de seus atores e o uso destes dados, de forma inteligente, possibilitará o desenvolvimento de melhores processos.
  • O compartilhamento de informações e a integração entre compradores, fornecedores, distribuidores, varejistas e clientes fazem parte da grande revolução da cadeia de suprimentos.
  • Atenção especial à segurança das informações, visando minimizar os riscos de ataques cibernéticos. Neste sentido, o Blockchain(também conhecido como “protocolo da confiança”) é uma tecnologia que visa a descentralização como medida de segurança.
  • Uso da nuvem permitindo que a informação esteja prontamente disponível para todos. Isto possibilitará maior valor aos processos operacionais em relação à visibilidade de toda a cadeia de suprimentos.
  1. Internet das coisas (IoT)

Estudos apontam que a Internet das Coisas conectará 25 bilhões de dispositivos até 2020. Com certeza, isto irá gerar uma grande transformação nas cadeias de suprimentos e as empresas precisarão estar atentas as novas possibilidades e aos novos desafios impostos por esta mudança.

Os atores da cadeia de suprimentos precisarão atualizar seus modelos operacionais considerando a necessidade de reforçar o investimento em transformação digital.

  1. Cadeia de suprimento autônoma

Estamos caminhando para o desenvolvimento de uma cadeia de suprimentos cada vez mais autônoma.

Esta cadeia de suprimentos autônoma vem sendo impulsionada pelos avanços tecnológicos que possibilitam a experimentação de novos modelos de operação e gestão. Neste sentido, já podemos observar algumas iniciativas, tais como:

  • Veículos autônomos como o caminhão autodirigido da Uber,
  • Entregas por drone da Amazon;
  • Automação de linhas de montagem e operações de armazéns;
  • Uso de impressoras 3D.
  1. Omnichanel – E-Commerce – Mobilidade urbana – Logística Reversa

Estes aspectos estarão cada vez mais interligados. Com o avanço do E-commerce e a tendência do varejo de buscar a convergência de todos os canais utilizados pela empresa (Omnichanel), o consumidor não perceberá a diferença entre o mundo online e offline.

Por isso, as operações de entrega dos produtos adquiridos continuará sendo um grande desafio. Este fato ganha ainda mais importância pois a tendência é que as vendas sejam cada vez mais fracionadas, aumentem as restrições de trânsito nos grandes centros urbanos (mobilidade), os clientes demandarão por entregas agendadas e existe ainda a questão relacionada aos processos de devoluções e trocas (logística reversa).

Visando equacionar estes pontos, já estamos vendo algumas soluções muito interessantes, podendo ser destacada a de redes de varejo que estão implementando entregas em lockers.

  1. Custo e nível de serviço

Mesmo com os avanços tecnológicos, as tendências de digitalização, as possibilidades de uso de inteligência artificial, o binômio custo e nível de serviço continua cada vez mais sendo um ponto a ser observado.

Por isso, é importante sempre fazer uma análise de quanto sua cadeia de suprimentos custa e quanto ela agrega de valor para o cliente e para todos os demais atores.

  1. Pessoas

Todos os itens mencionados anteriormente trarão grandes benefícios (e muitos desafios) para as cadeias de suprimentos. Mas, não podemos esquecer, que alguns destes itens aumentarão a complexidade de gestão, tanto na parte estratégica como na parte operacional. Por isso, é preciso dar ênfase nos processos relacionados à atração, retenção, avaliação, remuneração, capacitação e motivação das equipes que estão direta ou indiretamente envolvidas nas atividades da cadeia de suprimentos.

Com certeza, deverão surgir muitas outras tendências. Mas, penso que o importante é que nós, profissionais de logística, estejamos sempre buscando informações para nos mantermos atualizados quanto aos avanços tecnológicos, atentos às possibilidades de otimização de processos e aos cuidados com o desenvolvimento das equipes que deverão suportar as ações para o atendimento destas tendências.