Você tem vocação para empreendedor?

Em meio à crise de desemprego, estimulado pela possibilidade de aplicação do conceito de empregabilidade, talvez você seja um dos milhares de profissionais empregados ou não que estejam considerando iniciar o seu próprio negócio. Por que não? Você é um profissional bem sucedido, experiente e com muita energia, pronto para obter os mesmos – e até melhores – resultados que obtinha ou obtém para a organização em que ainda atua ou atuou por tantos anos.

Se esta for a sua situação, certamente você está repleto de indagações, dúvidas e esperanças. Que produto ou serviço deve ser a base do meu negócio? Qual é o meu mercado? Como são os concorrentes? O potencial da atividade pretendida é suficiente para me garantir um padrão de vida adequado? Como obter o capital necessário para dar partida? Vai dar certo? É isto mesmo que quero? E se não der certo, como voltar atrás?

Não há qualquer fundamentação científica, fórmulas infalíveis ou equações a serem implementadas que o possam ajudar, com toda a certeza, a tomar as decisões certas. Para começo de conversa, quase todas as decisões dessa natureza são subjetivas. Em verdade, elas se baseiam precipuamente na experiência pessoal do empreendedor e no seu julgamento intuitivo.

Assim, só quando você, de fato, lançar-se na empreitada, no momento em que as cartas estiverem sobre a mesa, e for resolver questões concretas, você saberá ou não se está acertando. Mas, aí sim, já estará construindo um caminho por conta própria, magnetizando um novo ser.

Mas antes que chegue a hora da verdade, é claro que convém que você reúna toda a ajuda de que for capaz. Estude profundamente as alternativas disponíveis, as dificuldades que irá enfrentar, as conseqüências das decisões que terá que tomar. Esteja particularmente alerta e consciente dos desafios e obstáculos que precisará superar.

A primeira e mais difícil decisão é a de saber se sequer você deve tentar a aventura. Você acha que tem o talento e a personalidade requeridos para lançar um negócio bem sucedido ? Você está pronto para os sacrifícios profissionais e emocionais que advirão da nova atividade ? Você acha que possui as características de um empreendedor, capaz de assumir com tranqüilidade os riscos da atividade econômica autônoma?

O que vem antes: a decisão de ter um negócio ou ter a idéia para um produto ou serviço a ser transformado em seu negócio?

Talvez você pense que a melhor resposta seja a segunda opção. Basta ter uma boa idéia e decidir botá-la em prática.

Em muitos casos, o processo é exatamente inverso. A maioria dos empreendedores decide primeiro que desejam estabelecer um negócio ou uma empresa. Só então correm atrás da idéia a ser  comercializada.

A primeira questão com a qual você se confronta, enfim, ao pensar em estabelecer o seu próprio negócio é saber se, de fato, você está disposto e até se pode se tornar um empreendedor.

A maioria dos empreendedores tem certos traços comuns: gostam de realizar, são pessoas que fazem as coisas acontecerem, têm no âmago o desejo de vencer. E gostam de saber como estão se desempenhando. Desejam feedback rápido, claro, objetivo.

Os empreendedores gostam de trabalhar duro, e sempre foram assim, mesmo antes de se transformarem em empresários.

Se você não está habituado a trabalhar duro, não se iluda pensando que, de repente, poderá fazê-lo só porque vai ser o seu  próprio patrão.

Empreendedores são almas solitárias. Não se contentam em contracenar nos bastidores e trabalhar para os outros, ou de não fixarem independentemente as suas próprias metas e objetivos.

Comprazem-se com a liderança e os desafios a ela inerentes.

Os empreendedores não são jogadores compulsivos, como equivocadamente pensam alguns. Preferem administrar situações com base na competência e não na sorte. Definitivamente rejeitam as tomadas de decisão de alto risco. Ao contrário, atuam criteriosamente com base no planejamento e na implementação de ações, justo para minimizar a incidência de riscos e de imprevistos. Preferem errar do lado da precaução do risco calculado do que do afogadilho das decisões raçudas.

É preciso que você se indague se a sua personalidade se ajusta a tais características. Se acaso você não compartilha da maioria desses traços, talvez seja mais inteligente desistir da idéia de botar o seu próprio negócio.

Mesmo que disponha das características pessoais adequadas, você precisa se perguntar se está disposto a enfrentar os sacrifícios inevitáveis que a nova atividade empresarial lhe imporá.

Profissionalmente, talvez você troque a segurança de um emprego por uma experiência que pode não dar certo e que, a longo prazo, talvez o deixe desempregado.

Pelo lado positivo, no entanto, ser um empreendedor bem sucedido lhe trará incontáveis recompensas, que superarão em muito os sacrifícios.

E mesmo que fracasse é possível que a experiência auferida possa lhe ser útil, em especial para muitos empregadores em busca de perfis profissionais que então você passará a ostentar.

O pedágio emocional que terá que pagar à sua família é um sacrifício que precisa ser bem dimensionado, inclusive compreendido, consensado e aceito por cônjuge e filhos.

Dispender cada minuto de sua vida dedicado aos problemas empresariais não o deixarão com muita energia, motivação e entusiasmo para tratar com as inevitáveis questões do cotidiano familiar. Por outro lado, se for bem sucedido você disporá de uma invejável situação financeira que o permitirá proporcionar a seus familiares oportunidades e um estilo de vida que não desfrutariam se você não se dispusesse a percorrer a trajetória empresarial.

Assumir os riscos de botar o seu próprio negócio é uma decisão apenas sua, de mais ninguém. A reflexão é o prelúdio da ação. Não é a justificativa racionalizada ou a explicação sem jeito para adiar o que deve ser feito. Mãos à obra ou dar adeus às ilusões!

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www.wagnersiqueira.com.br

Sobre o autor

Wagner Siqueira

Wagner Siqueira é Administrador atuante, com uma longa trajetória de trabalho dedicado à profissão, e filho de Belmiro Siqueira, Patrono da profissão no Brasil. Foi Presidente do Conselho Federal de Administração e do Conselho Regional de Administração do Rio de Janeiro. Foi Secretário de Administração da Prefeitura do Rio de Janeiro, Presidente do Riocentro e Secretário de Desenvolvimento Social da Prefeitura do Rio, alem de exercer muitos outros cargos na Administração pública e privada.

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