Salvação pela Sociedade
O fim da crença na salvação pela sociedade pode levar ao retorno da responsabilização individual como protagonista de destino.
Por certo, o colapso do marxismo como sistema político, econômico, institucional, moral e ideológico , após as experiências do socialismo real aplicadas em alguns países ao longo dos Séculos XX e XXI, talvez signifique o desmanche da crença libertadora da salvação do homem pela sociedade.
Não são as sociedades entronizadas por ideologias políticas fundamentalistas que conduzem à humanização e ao humanismo. Assim como também não são as religiões exacerbadas pelo salvacionismo do homem no coletivo em igrejas fundamentalistas que levam à nova edificação humana.
A natureza do homem é permanente e universal, no tempo e no espaço, no dizer de Lévy Strauss : isto é fartamente constatado pela trajetória existencial humana ao longo dos tempos. Fernando Pessoa corrobora: a humanidade é ‘inaperfeiçoável’. E eu, modestamente, também reflito: se o ser humano tivesse jeito, 2000 anos depois de Cristo tudo estaria resolvido.
No redemoinho de uma crise multifacetada mundializada, como a que ora vivemos, não conseguimos vislumbrar o que vai ficar, difícil até descortinar cenários prováveis. Só nos resta esperar, e para os crentes orar! Talvez nada além de uma paciência de Jó resignado em que se aceite as adversidades da vida, com tranquilidade, sem reclamar, mas com a serenidade da razão e a determinação da vontade de que novos patamares possam ser alcançados num futuro próximo indeterminado.
Talvez – quem sabe?- o renascimento da religião primitiva realizada na descontinuidade de um novo tempo, aperfeiçoando-se e contemporizando-se às necessidades e aos desafios da pessoa na sociedade do conhecimento, dos avanços orbitais da tecnologia e à aplicação disruptiva da IA?
O crescimento explosivo do que eu chamo de igrejas cristãs “missionárias” – protestantes, católicas, não denominacionais – possam ser um presságio dessa busca inusitada. Mas o ressurgimento do Islã fundamentalista também o é. Afinal, para os jovens do mundo muçulmano ocidental, que agora abraçam tão fervorosamente o fundamentalismo islâmico, há poucos anos teriam sido marxistas igualmente fervorosos. Ou haverá novas perspectivas oriundas dos cultos afros aplicados aos novos tempos?
Ainda assim, a autorrenovação, o crescimento espiritual, a bondade e a virtude de um “Novo Homem” podem voltar a ser vislumbrados como referências existenciais, em vez de serem objetivos sociais ou prescrições políticas centralmente polarizados como se pratica hoje no cotidiano.
O fim da crença na salvação pela sociedade certamente marcará uma virada para dentro de cada um. Isso possibilita uma ênfase renovada no indivíduo como pessoa. Pode até levar — pelo menos podemos esperar — a um retorno à responsabilidade individual.
Caríssimo leitor, o departamento de recursos humanos de sua empresa não é responsável por cuidar de você. Você é!
Identifique e trabalhe nos seus pontos fortes e minimize as suas fraquezas. Tome consciência da defasagem existente entre o que você efetivamente é e o que gostaria de ser. Trate de se esforçar para compatibilizar o seu comportamento real com o que gostaria de ser.
Certifique-se de que seus resultados sejam iguais às suas expectativas e gerencie-se. Pergunte a si mesmo continuamente: “Qual deve ser a minha contribuição, em que de fato faça algo diferenciado, fora do comum, de maneira a marcar a minha colaboração. Seja criativo: pense o novo. E igualmente inovador: é preciso transformar o novo em realidade. Como transformar o tecnicamente novo no economicamente produtivo deve ser o seu propósito!
*Adm. Wagner Siqueira é Presidente do CRA-RJ e do Fórum Est. dos Conselhos Profissionais do RJ.