Para a pergunta do título, temos uma resposta um tanto quanto intuitiva: a taxa Selic, hoje no valor de 2%, seria o melhor indexador para remunerar o credor que concedeu o empréstimo. Essa conclusão decorre, sobretudo, por ser a Selic a principal referência da política de juros brasileira. Todavia, utilizar este raciocínio somente faz sentido quando pensamos em risco soberano, ou seja, quando o empréstimo é concedido a um país. Isso porque nações possuem reservas econômicas e podem emitir dinheiro ou títulos para capturar recursos, garantindo a futura satisfação do crédito.

No entanto, taxas de juros mudam de acordo com quem busca o financiamento. Então, podemos nos perguntar: se esse mesmo crédito fosse buscado por uma empresa, a lógica seria a mesma?

A depender das circunstâncias, uma empresa pode ter o risco de crédito maior quando comparado a um país e essa informação é considerada na precificação da taxa.

Pensando ainda numa empresa que tem um excelente histórico de pagamento, poderemos utilizar uma taxa baixa para empresas, conhecidas como triplo A. Ou seja, empresas com excelente classificação de risco e com grau de investimento pelas agências de Rating, conforme gráfico abaixo:

Em um cenário assim, podemos colocar a taxa em 10% ao ano!

Assim, qualquer um pode achar que pagar R$ 460 milhões em juros é algo assustador e que pode comprometer a existência de uma empresa, o que concordo plenamente. Esse é um dos motivos pelos quais defendo e acredito no mercado de capitais, porque é possível encontrar soluções mais construtivas e econômicas do ponto de vista de captação de recursos.

Veja o que fez o Grupo Mateus, que é o quarto maior ‘atacarejo’ do país, hoje com 137 lojas no Maranhão, Pará e Piauí e empregando mais de 20 mil pessoas.

Este grupo conseguiu captar os mesmos R$ 4,63 bilhões de reais sem pagar juros por essa linha de crédito. Isso foi possível porque a empresa vendeu participação do seu negócio para novos investidores. Algo fantástico, concorda?

Espero que sim. Por isso, sempre reitero que o Brasil tem que construir uma bolsa de valores com empresas de tecnologia, flexibilizar a entrada de novas empresas no mercado de capitais pela redução de custos e exigências e permitir que empresas que estão dentro da instrução CVM 588 de equity crowfunding, que disciplina as plataformas eletrônicas de investimentos participativo, possam acessar linhas de crédito utilizando o mercado acionário.

No final, precisamos construir um terreno fértil para a próxima geração que irá liderar o empreendedorismo nacional, pois se continuarmos a usar o mesmo modelo de negócios das gerações passadas, continuaremos presenciando um péssimo crescimento econômico e baixo PIB, além do alto desemprego.