Nos últimos 15 ou 20 anos, o mundo tem passado por um momento de profunda turbulência. Aspectos como a velocidade das mudanças e as incertezas por ela causadas fizeram com que as organizações, que entraram no século passado, ainda pautadas por modelos tradicionais de comportamento e processos, sofressem com uma traumática falta de perspectiva do ambiente de negócios. Questões como a previsibilidade, os riscos, os investimentos e aparelho gerencial sofreram importantes modificações e as organizações começaram a “tatear” novas formas de sobreviver.

Na esteira deste cenário, a educação começou a encarar um contexto de ação com o qual ainda não houvera se deparado. Aqui cabe ressaltar que duas mudanças no tecido social são relevantes: as novas gerações de crianças – absolutamente diferenciadas, com interesses novos, hábitos não idealizados, multiplicidade de formas, pensamentos, sem tendências claras – e a mudança na família. Anteriormente, escola e família reproduziam um modelo de educação que se fortalecia por meio do status quo. Por conta disso, a escola reproduzia o modelo de educação de casa e vice-versa. Os “novos pais” já não valorizam mais uma série de questões e esta parceria “conceitual” perdeu sua força.

Com isso, a escola – sozinha – tem que trilhar um novo caminho. Tal pensamento nos leva à efetiva reflexão acerca dos skills necessários para se ensinar hoje. A reprodução dos conteúdos já não faz mais tanto sentido. Questões como comportamento, capacidade de liderar e empreender começam a ganhar ressonância em todas as áreas. Não quero dizer com isso que o clássico/tradicional não tenha mais espaço. Óbvio que tem. Mas, estamos em uma clara transição e as instituições de ensino começam a se posicionar em relação a isto, com vistas a promover um alinhamento atitudinal e procedimental dos colaboradores docentes. Os cursos das IES devem adequar suas matrizes curriculares com as demandas do mercado de trabalho, proporcionando ao aluno adquirir conhecimentos teóricos e práticos que o qualificarão para os desafios de suas áreas.

Isso nos leva a uma mudança profunda em processos como recrutamento e seleção docente, integração docente, treinamento e desenvolvimento do corpo docente e, principalmente, avaliação do desempenho, visando o alinhamento de perspectivas, conduta, valores etc. buscando-se uma forma de garantir novos docentes e estratégias para sala de aula baseadas nos 4 pilares da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO, “o saber”, “o saber fazer”, “o saber ser” e o “saber conviver”, com foco na formação integral do profissional e cidadão.

Por fim, é interessante ressaltar que questões relacionadas à capacidade do docente, tais como ser um líder para seus alunos, em detrimento de ser apenas o “chefe da sala”; buscar aprimoramento – não só o técnico de sua área, mas o relacionado à docência em si; comprometimento com as organizações em que trabalham e a sustentabilidade do negócio, como se fossem “donos”; tornam-se centrais no perfil desejado para este profissional.

Esta reflexão, que já fui capaz de fazer por algumas vezes nos últimos anos, não tem como intuito expor uma questão ideológica no sentido da gestão e tampouco estar em concordância ou não com este modelo, trata-se apenas de uma constatação com base no próprio movimento corporativo e dos recursos humanos destas instituições de ensino. O mundo não para de mudar e a educação, sem qualquer sombra de dúvida, acompanhará esta mudança. Um novo hall de instituições de ensino e um novo grupo de skills para ensinar são uma realidade. Resta apenas pensar reforçar a pergunta que tenho feito sucessivamente: você está inserido neste novo mundo?