Hoje, dia 9 de setembro, é comemorado o dia do administrador e ofereço aos leitores um estudo sobre a estratégia de inovação. Trata-se de um termo composto de duas palavras: estratégia, que é uma direção para a empresa ser diferente e a inovação que é a descoberta de como transformar algo antigo, sem valor, em algo novo que é útil e possuí valor agregado. O tema é atual e está sendo comentado por leigos, pessoal da mídia e acadêmicos, por isso, considero que seu conceito precisa ser definido e sua metodologia disponibilizada para que a estratégia de inovação possa ser aproveitada nas empresas. Acredito que o tema irá interessar aos administradores e gestores em todo o Brasil.

A inovação é uma atividade antiga que ocorre desde que o homem existe. Tal como nossos antepassados, nos dias de hoje as empresas, profissionais liberais e governos a utilizam para corrigir erros, resolver problemas, reduzir custos, lucrar, diferenciar seus produtos e serviços dos demais rivais. Ela ocorre quando alguém percebe que alguma necessidade não está sendo atendida e cria uma solução para aquele problema e assim se torna um inovador. Muitas vezes a tecnologia, finanças e as pessoas estão disponíveis, mas o gestor não utiliza sua inteligência competitiva para transformar o recurso existente em um recurso de mais valor e criar uma riqueza. Ao estudar o caso Honda, a moto de baixa cilindrada estava pronta e era usada pelos vendedores da empresa para vender de motos velozes nos EUA. Nenhum dos executivos da Honda percebeu o valor das pequenas motos para o americano usar para ir ao trabalho, até que um comprador da Sears fez a abordagem para que eles a vendessem em suas lojas sua inovação, ou seja, aquele modelo de pequenas motos que usavam para trabalho para vender as motos velozes. Foi o comprador quem descobriu uma nova utilidade para o produto. Eu credito a ele o título de inovador.  Foi um sucesso inesperado para a Honda.

A inovação é uma das disciplinas que serão estudadas na Pós-Graduação UERJ em Gestão Empresariale pode ser de processos, de produto, tecnológica, social ou de sistemas. Para exemplificar a inovação de processos, temos uma forte demanda para resolver no Brasil: “como o governante pode controlar a governança dos Secretários de Estado na aplicação das verbas sem que ocorra a corrupção”. Ofereço esse exemplo para que o leitor abra debates para tentar encontrar uma inovação que solucione o problema. Na empresa comercial privada, que tem orçamentos muito maiores que algumas prefeituras, esse problema é sanado com políticas claras de procedimentos além com a criação dos controles de gestão.

Acredito que os administradores poderão solicitar ao Adm. Wagner Siqueira, presidente do CRA-RJ, que abra um seminário sobre o tema “Inovação no Serviço Público” porque ele tem capacidade para isso. Além do que herdou do seu pai o Adm. Belmiro Siqueira, que muito contribuiu para o Estado brasileiro. O Wagner é uma referência em atividade por sua formação na FGV e pelos cargos de confiança no governo que exerceu.

O leitor poderá perguntar: como o problema é resolvido de forma tão rápida pela gestão empresarial se ele é tão grave. A resposta está na ação do empresário em identificar um possível problema, e se antecipar a ele, e resolver. Aqui temos o primeiro conceito prático da inovação. Ela deve ser uma ação deliberada do principal dirigente de querer encontrar uma solução para um problema ou uma necessidade de seus clientes. Segundo, o problema é antigo, a tecnologia e métodos de gestão já existem e são conhecidos, mas, sem inovação, nada é feito.

A inovação deliberada é definida quando o gestor sabe onde quer atuar e, com determinação, usa as capacidades da empresa – recursos, processos e valores – para descobrir uma forma para solucionar o problema ou atender a necessidade do cliente. Encontramos essa ação, mesmo quando o gestor não é graduado em administração. No exercício da gestão empresarial, por praticar, ele aprende a perceber o que está ocorrendo no mercado e tomar decisões certas na hora certa ao aplicar os recursos, humanos e equipamentos para criar o novo, e passa a ser um consumidor da inovação ou ser aquele que lança a inovação pela primeira vez. Foi o que fez Michael Dell ao montar o PC numa garagem de sua casa e vende-los por telefone para hoje ser a potência que é.

Dell descobriu a inovação de ser uma indústria de PC sem fabricar um só parafuso ou soldar um fio. Criou uma montadora de computador que suplantou as rivais da época, a IBM, HP, Apple, etc. A inovação de Dell cumpriu os conceitos de atender as necessidades dos consumidores, ao vender um PC de custo mais baixo, pela venda direta sem intermediários e o PC customizado. Suas pesquisas de CRM direcionam a montagem das máquinas com componentes e software conforme o que cada consumidor precisa para trabalhar.

Sua atitude empreendedora foi outro conceito da inovação que deve ser considerada de grande importância. Não basta ser inovador. Temos que lucrar e se apropriar da vantagem competitiva que obtivemos ao criar valor. Ele aproveitou a oportunidade no momento que a empresa teve sucesso. Saiu de uma aula de Pós-Graduação em Harvard e não teve tempo para voltar. Foi criativo e descobriu coisas já existentes no mercado e inovou em processos que lhe deram liderança e lucro. O inovador empreendedor é muito diferente da pessoa reconhecidamente criativa, às vezes chamada de “professor pardal”, que faz descobertas e não consegue colocar o produto ou serviço no mercado. Obtém o reconhecimento público, mas é chamado de “coitadinho”.

Existem exemplos de vários produtos e serviços inovadores que não vão além do protótipo ou que até chegam ao mercado, mas dão grandes prejuízos. São poucas as inovações que dão lucro e, quando isso ocorre, muitas vezes, devem seu crédito a um gestor empreendedor e sua estratégia. O produto Betamax era superior ao VHS. O PC Apple era melhor que o da IBM, mas não se tornaram um projeto dominante e foram superados.

O gestor empreendedor faz a diferença na inovação porque ele sabe identificar como o produto inovador pode ser vendido e entregue à longa distância. Ele sabe construir capacidade de nomear e motivar um revendedor em uma cidade longe da fábrica. É o exemplo do pequeno e médio fabricante de moda íntima de Friburgo – RJ. A produção de lingerie desta cidade é um exemplo da gestão da inovação deliberada e sistemática. Cada fábrica determina que os funcionários criem novos modelos e coleções para atender as necessidades de seus clientes. Decidem investir recursos em máquinas, tecidos e aviamentos para se diferenciar de seus rivais e competir em todo o Brasil.

Vou concluir a parte teórica com dois conceitos que precisam ser explicados: existe a inovação radical e em outro extremo a inovação incremental. No meu parecer, o inovador incremental de moda íntima de Friburgo é o que deve servir de exemplo. Concordo com os acadêmicos que consideram que a inovação deva evoluir a passos pequenos, obtendo-se pequenos ganhos, sem perdas. O lingerie é uma gestão de baixo risco, porque obtém lucro no seu investimento, apesar de empregar muitas pessoas. Embora não possua enormes departamentos de pesquisa e desenvolvimento e não contrata cientistas para definir uma nova peça. Mas, existem momentos que o setor de lingerie do polo da cidade aplica as inovações radicais de alças, fechos, tecidos, bojos, etc., que lhes são ofertadas pelas grandes empresas pesquisadoras de inovações.

A inovação requer recursos, principalmente financeiros. Por isso, o gestor deve investir de forma incremental. Buscar resultados positivos com um pequeno investimento apoiado em um projeto seguro e com boa previsão de ROI. De forma deliberada e sistemática o sucesso desse projeto deverá servir para alavancar outros recursos financeiros que sejam direcionados a criar outras inovações. O objetivo estratégico deverá ser colocar a empresa em uma posição de exclusividade, liderança de mercado, e lucrativa. O objetivo complementar será investir no reforço das capacidades para tornar o processo de criar novos produtos um moto contínuo para perpetuar o lucro.

O gestor da empresa que adota a estratégia de inovação compreende que suas decisões deverão ser deliberadas e sistemáticas para atingir os objetivos. Deverá estar atento para que sua diretriz seja de aplicar os recursos para desenvolver capacidade criativa e de inovação na empresa. Assim, estará competindo com seus rivais utilizando a estratégia de diferenciação ao comercializar produtos de mais valor para o cliente. Investe no produto que tenha valor raro, difícil de ser imitado, exclusivo, único. Tem um preço estratégico que permite a empresa se apropriar do valor criado por um tempo superior aos de seus rivais. Até descobrir outra inovação de sucesso, robusta que cria valor para o seu cliente, por um menor custo relativo.

Este artigo descreveu a inovação que em 2014 irá completar 100 anos como atividade de pesquisa científica. Só a metodologia da pesquisa pode garantir que um invento tenha um alto grau de previsibilidade para que o projeto dar certo, ou que venha a dar menos prejuízo. A intenção foi descrever de forma simples como a inovação está sendo utilizada em uma pequena cidade do Brasil e como ela depende do empreendedor para ter sucesso. Durante os exemplos, vimos à presença do gestor tomando decisões, mas observamos que não é a sorte que prevalece. A alguns se destacam por utilizar a metodologia adequada enquanto que outros improvisam.  A inteligência competitiva pode ser adquirida e é um privilégio do gestor que percebe o que está ocorrendo ao seu redor e no seu mercado, pensa global e decide local, sabe discernir as mudanças macro e age no micro. Sabe interpretar a oportunidade ou um problema para se apropriar dos benefícios do valor que criou e a vantagem competitiva que adquiriu, e lucra.

Caro leitor, considere os estudos aqui apresentados como parte de um todo. A Pós-Graduação UERJ em Gestão Empresarial é uma das formas para a pessoa ganhar inteligência competitiva,e para que a pessoa possa ampliar os conhecimentos e assim ganhar capacidade para tomar decisão em suas empresas. Além da inovação, a estratégia competitiva faz parte da grade do MBA. As aulas estão previstas para iniciar em outubro em Friburgo.