Não precisamos ir muito longe, nem mesmo sair do Brasil, para nos depararmos com situações desalentadoras, em diversos aspectos, que são vivenciadas pela atual geração. Nas ruas, a pobreza e a desigualdade ficam evidenciadas, nas mais diversas comunidades esgotos a céu aberto deixam claro a distância existente para que o saneamento básico seja, efetivamente, para todos.

Se ligamos a televisão ou utilizamos outros meios de pesquisa, rapidamente somos tomados por notícias relacionadas aos mais diversos danos causados aos ecossistemas existentes, mas também temos nos deparado, gradativamente, com ações positivas direcionadas à redução das desigualdades e igualdade de gênero.

Porém, ainda que tenhamos falado em não ir longe, é necessário pensar que tais temas não são exclusividades do Brasil e, em um mundo cada vez mais globalizado, que reflete de maneira praticamente imediata os acontecimentos nos mais diversos países, é preciso que haja um alinhamento para que seja dado o devido tratamento e relevância para avançarmos nessas pautas. Surgem então, com esse intuito, os ODS.

ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) são, resumidamente, um plano global criado durante a Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, em setembro de 2015, para orientar as políticas nacionais, bem como as atividades que demandem cooperação internacional nos 15 anos seguintes, com a Agenda 2030.

São, no total, 17 objetivos e 169 metas a serem atingidas até o ano de 2030 e, como visto, há uma grandiosidade de desdobramentos de cada ODS.

Sendo assim, para que possamos entender os principais pontos que foram considerados nesse compromisso, abordaremos os quatro pilares principais, que norteiam esses ODS.

Ambiental: mais do que somente a preservação e conservação do meio ambiente, trata de ações que possam reverter o desmatamento. Também se preocupa com a biodiversidade, o uso sustentável dos oceanos e a adoção de medidas que sejam realmente efetivas, e urgentes, no combate à mudança climática e seus impactos.

Social: se relaciona diretamente com as necessidades humanas. Promover melhor qualidade de vida, com trabalho decente, educação de qualidade e medidas institucionais que possam eliminar leis discriminatórias e também promover leis mais adequadas. Também possui enfoque na saúde da população, com melhorias no bem-estar e prevenção de doenças, e acesso à justiça e à segurança pública, com intuito de proporcionar uma sociedade mais pacífica.

Econômico: esse pilar trata da produção de resíduos, buscando o consumo e a produção responsáveis, o consumo de energia e suas diferentes fontes, com destaque para as energias renováveis, consideradas eficientes e, principalmente, não poluentes. Também trata do esgotamento dos recursos naturais, o que, sabemos, não é tão somente um problema ambiental, visto que a economia está diretamente ligada, e dependente, a vários desses recursos.

Institucional: por último, mas não menos importante, esse pilar trata da capacidade, real, de colocar em prática os ODS. Considerando a crise sanitária e econômica mundial, é possível prever que o avanço na implementação dos ODS e da Agenda 2030 tenha recebido um impacto extremamente significante, tornando o desafio, que por si só não é simples, ainda maior.

É importante ressaltar que esses pilares estão desdobrados e esmiuçados em cada objetivo e suas metas, as quais são resultado de experiências acumuladas ao longo dos anos, diversos debates e também de inúmeras negociações globais.

Apesar das já previstas — e imprevistas, como a crise sanitária mundial — dificuldades para sua implementação, os ODS, em geral, têm grande poder mobilizador, visto que são uma agenda positiva, repleta de oportunidades, as quais favorecem o diálogo e a colaboração entre os mais diversos setores.

Por fim, é importante ressaltar que além do envolvimento de estados, municípios, governo e setor privado, a sociedade civil terá papel decisivo para que a implementação seja exitosa. Portanto, é importante que conheçamos os ODS, suas metas e que trabalhemos, seja em nosso ambiente pessoal ou profissional, com direcionamentos que, de alguma maneira, ainda que consideremos irrisória, sejam colaborativos com esses objetivos, os quais, se alcançados, ainda que não em sua totalidade, irão propiciar para as novas gerações imagens, notícias e, principalmente, uma vida diferente da que enxergamos atualmente. Façamos nossa parte.