‘O profissional de Administração como início, meio e fim dos projetos do CRA-RJ será nosso mantra’

Temos a satisfação de participar, mais uma vez, deste momento solene, democrático e representativo, que são as eleições do Conselho Regional de Administração do Rio de Janeiro. Desta vez, com a responsabilidade e compromisso ainda maiores, diante do desafio delegado pela categoria dos profissionais de Administração e do Egrégio Plenário, que desde o dia 8 de janeiro iniciou seu novo mandato. Nosso intuito é, e sempre será, representa-los com dignidade e profissionalismo, segundo valores, princípios morais e éticos e transparência, elementos requeridos para alcançar uma governança eficiente, eficaz, efetiva e essencialmente humanizada.

Portanto, nossas palavras seguintes são de agradecimento à categoria profissional dos Administradores, que no último pleito deu seu voto de confiança ao Egrégio Plenário, que há pouco tomou posse. Mais uma vez, nossos sinceros agradecimentos ao plenário por nos dar a honra da presidência desta novel instituição.

Muito menos podemos deixar de render, à sua vez, nossas homenagens ao talento, à inteligência, à criatividade e à competência profissional do Administrador Wagner Siqueira, em face do rico legado, sobretudo no campo da inovação tecnológica, que deixou ao CRA-RJ, à época de sua presidência, e, até hoje, reverbera em nível nacional dentro do Sistema CFA/CRAs, quando sob sua batuta e que, como paradigma, se incorpora também a outros conselhos de classe.

Agradecer igualmente ao Adm. Leocir Dal Pai, que encerrou seu mandato à frente do CRA-RJ, e dos conselheiros que terminaram seus respectivos mandatos. Deixo aqui meu voto de louvor pela importante contribuição que deram à categoria e à instituição: Adm. Jorge Humberto Moreira Sampaio, Adm. Miguel Luiz Marun Pinto, Adm. William Pinto Machado, Adm. Clésio Guimarães Faria, Adm. Manoel Francisco D’Oliveira, Adm. Edson Fernando Alves Machado, Adm. Dácio Antonio Machado de Souza, Adm. Yara Guimarães Assis Resina, Adm. Antônio Marcos de Oliveira, Adm. Luiz Henriques da Silva e Adm. Pedro Paulo Leite do Vale.

Também não podemos esquecer do Administrador, conselheiro e amigo Marco Aurélio Lima de Sá, que não completou seu mandato, infelizmente, por motivo de falecimento. À época de sua morte, exercitava cumulativamente a vice-presidência de Administração e Finanças e a direção da Casa do Administrador de Volta Redonda. Ademais, a grandiosidade de sua alma disponibilizava-o para o ‘outro’, sempre.

Aos colaboradores internos, posso ressaltar minha imensa gratidão, quando em outras oportunidades compartilhamos trabalho, responsabilidade e alegrias; repartimos expectativas, confiança e experiências. Agora, espero que renovemos o sentimento de pertencimento e de lealdade pessoal, profissional e institucional. Voltamos para repactuarmos juntos esses valores.

Mas, por fim, devemos relembrar e agradecer àqueles, só para falar dos que ficaram encantados, que são os eternos alter egos presentes no inconsciente coletivo da categoria, da instituição e de nossa construção e desenvolvimento na história de vida pessoal e profissional de cada qual. Por isso, na esteira do pensamento do ilustrado e celebrado espanhol Ortega y Gasset, nós somos nós e nossas circunstâncias. Somos vários ‘outros’; somos a criação de vários ‘outros’ genética, conceptual e experiencialmente presentes no nosso modo de pensar, sentir, agir e atuar na vida.

E é também na poética de Cora Coralina que nossas palavras encontram apoio: “E penso que é assim mesmo que a vida se faz: de pedaços de outras gentes que vão se tornando parte da gente também”.

E prossegue:

“Que eu também possa deixar pedacinhos de mim pelos caminhos e que eles possam ser parte de suas histórias”.

Posto isso, não poderíamos deixar de elevar nossos pensamentos aos céus, louvar e agradecer o legado, os saberes e os valores que vigem imorredoramente na sociedade, na instituição, na profissão e no coração das pessoas. Nossa gratidão eterna a esses sábios: obrigado, Belmiro Siqueira, Gilda Nunes e Abílio Thomaz de Freitas.

Mas, e o programa de trabalho? Poderia nos perguntar alguém da plateia e com justa razão. Porém, sem querer frustrar ninguém, não vamos apresentar qualquer programa de trabalho agora, pois ele ainda não existe sem a participação direta do Egrégio Plenário para ser legítimo, representativo e ético pelas suas origens e fontes de inspiração: a própria categoria profissional representada pelos conselheiros eleitos.

Pretendemos apresentar um esboço generalístico de sugestões de temas que, pela sua importância, demandarão soluções. Aliás, na boa companhia de Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa, ao encerrar o poema ‘Adiamento1’, num contexto semicômico de revolta do sujeito contra a tirania do tempo:

“Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo…
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã…
Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã…
Não, hoje nada, hoje não posso”.

Segue o esboço geral:

1 – O profissional de Administração como início, meio e fim dos projetos do CRA-RJ será nosso mantra;

2 – Investir na elevação da receita na busca do equilíbrio econômico-financeiro da instituição, sob toda forma de ação tecnológica, jurídica e administrativa, como:

a) Reconfigurar os modelos de organização e gestão dos órgãos-fim: fiscalização e registro do CRA-RJ;
b) Ampliar a fiscalização através do uso de ferramentas de ‘big data’ associadas ao Sifa;
c) Intensificar o uso dos equipamentos jurídicos relacionados à dívida ativa;
d) Intensificar o uso da comunicação social na divulgação de ações relacionadas à fiscalização e registro;
e) Identificar novas áreas de objeto de atividades afins à Administração, reconhecidas por sua gestão temerária:
. Economia criativa – as atividades culturais e criativas geram 2.64% do PIB brasileiro e são responsáveis por mais de 1 milhão de empregos formais diretos; há no setor cerca de 250 mil empresas e instituições (dados da Firjan);
. Turismo, hotelaria e gastronomia – segundo dados da RBA 126 (setembro-outubro/2018), são 6 milhões de vagas no mercado de trabalho e faturamento anual de R$ 166 bilhões, propiciando excelentes oportunidades para os profissionais de Administração;
. Gestão de condomínios é outro espaço a ser fiscalizado;
. Ampliação do estímulo ao registro dos estudantes universitários;
. Ampliação do estímulo ao registro de Técnicos em Administração de nível médio;
. Desenvolver estudos de visibilidade sociotécnica de criação no CRA-RJ de um curso Técnico de Administração (nível médio).

Segundo dados do Banco Mundial, a baixa qualidade da educação condena as crianças do Brasil a atingir aos 18 anos com pouco mais da metade do seu potencial produtivo, limitando suas condições de inserção no mercado de trabalho. O novo índice do Banco Mundial situa também o país na 81ª posição, atrás de vizinhos e países emergentes.

3 – Investir na elevação dos níveis de empregabilidade e de mobilidade profissional e social do profissional de Administração:

a) Reavivar o SOA (Adm Empregos), em conformidade a uma versão atualizada e focada numa tecnologia social, tipo coach;
b) Criar coach preparatório relacionado a pós-carreira, de modo a propiciar ao registrado:
. Melhor entender o processo da aposentadoria;
. Planejar a saída da empresa;
. Viabilizar seu projeto de pós-carreira;
. Resgatar a confiança e a autoestima.
c) Estimular a produção de novos conteúdos e cursos demandados pelos profissionais de Administração;
d) Desenvolver estudos de viabilidade sociotécnica relacionados à criação de curso de mestrado profissional.

4 – Ampliar o objeto das Comissões Especiais, de modo a estimular:

a) A interiorização sob a forma de sistema, seja presencial ou virtualmente;
b) A construção de soluções associadas à:
. Consultoria interna;
. Construção de conteúdos/cursos;
. Participação na montagem dos programas de treinamentos.

5 – Ampliar o programa de responsabilidade social do CRA-RJ, realizado por iniciativa própria ou mediante convênio com o CFA, sobretudo naqueles projetos que, pela excelência, reconhecidos inclusive a nível internacional. Por exemplo, o Sistema CFA de Governança, Planejamento e Gestão Estratégica de Serviços Municipais de Água e Esgoto, que contribuiu, principalmente, para:
. O bem-estar social;
. A abertura de mercado para os profissionais da Administração;
. O bom funcionamento dos órgãos públicos.

6 – Reconfigurar a política de RH em três eixos:
. Plano de cargos e salários (nominais);
. Plano de cargos de confiança;
. Plano de benefícios.

7 – Reconfigurar o modelo de desenvolvimento organizacional interno, apoiados nos seguintes eixos:

a) Ajustar e adequar o atual modelo conceptual de organização e gestão, de forma a alinhá-lo às ações demandadas pela inovação tecnológica e administrativa;
b) Desenvolver e organizar o manual de normas e procedimentos do CRA-RJ.

8 – Com relação à inovação tecnológica:

a) Usar o sistema existente na sua plenitude tecnológica;
b) Intensificar o uso de outros sistemas, como por exemplo, o módulo contabilidade.

9 – Criação de fórum permanente de avaliação e crítica, centro irradiador do pensamento estratégico e de troca de ideias associadas à Ciência da Administração, a outras áreas e à sociedade em geral, envolvendo, sob regime de parceria e sob a responsabilidade do CRA-RJ, instituições interessadas na busca de efeitos multiplicadores e catalizadores, visando, sobretudo, debater, entender e precatar-se contra o impacto das principais mudanças tecnológicas, políticas, econômicas e sociais sobre as organizações, as profissões, o emprego, o trabalho, as habilidades, as pessoas e a sociedade em geral.

Estão dentro desta linha, por exemplo:
. A 4ª Revolução Industrial;
. Para onde vai a Administração.

10 – Direcionar as ações de Comunicação Social sob os seguintes eixos:

a) Construção de conteúdos destinados a reavivar o sentimento de pertencimento profissional e institucional dos registrados;
b) Construção de conteúdos destinados à ‘venda de nosso negócio’;
c) Transmissão e disseminação de informações, conhecimentos e experiências associadas à Ciência da Administração, de modo a contribuir para atualizar permanentemente o nível de empregabilidade e mobilidade social de estudantes e profissionais, e de sustentabilidade corporativa de pessoas físicas e jurídicas registradas;
d) Cobertura de eventos em geral.

11 – Por fim, a Universidade Corporativa do Administrador e sua implementação definitiva, em conformidade aos seguintes objetivos, entre outros:

a) Transmitir e disseminar informações, conhecimentos e experiências em geral, associadas à Ciência da Administração;
b) Construção de conteúdos, cursos e afins destinados a:
. Preparar o profissional de Administração para a elevação de seu nível de empregabilidade e mobilidade social;
. Aumentar o nível de sustentabilidade corporativa de pessoas jurídicas registradas;
. Reavivar o sentimento de pertencimento profissional e institucional dos registrados;
. Divulgar ações associadas à fiscalização e ao registro;
. Vender o ‘negócio’ da instituição;
.  Enfeixa a construção do modelo conceptual do fórum permanente de temas que, pela sua importância em relação à Ciência da Administração e à sociedade em geral, pede a atenção proativa do CRA-RJ.
c) Desenvolver estudos de viabilidade sociotécnica em relação à implantação de órgãos e/ou disciplinas segundo os eixos seguintes:
. 3º grau (ensino superior): Mestrado Profissional; Pós-graduação e Graduação em Administração;
. 2º grau (ensino médio): Curso Técnico em Administração.

Adm. Wallace Vieira de Souza
Presidente do CRA-RJ

Sobre o autor

Wallace Vieira

Presidente do Instituto de Administração do Rio de Janeiro (IARJ) e um de seus criadores. Foi conselheiro do CRA-RJ entre os anos 1991/2003, exerceu mandato de vice-presidente de Planejamento e Desenvolvimento Institucional no biênio 2007-2008. Foi presidente da Instituição no biênio 2009-2010 e novamente conselheiro em 2011-2014. Além de Administrador, tem graduação em Ciências Biológicas; Direito; formação psicanalítica com especialização em Socioanálise (Ibrapsi); pós-graduado em Gerência Geral (PUC/Rio) e especializado em Administração de Centros de Educação Profissional e Corporativa no Centre for Advanced Technical and Vocational (ONU-OIT/Itália), além de estágio no setor de sua especialização em organizações público-privadas dos Estados Unidos, Canadá, Japão, Espanha, Itália, França, Inglaterra e Alemanha. Desenvolveu consultoria para organizações importantes no Brasil e no exterior (México, França e Moçambique). Obteve premiações internacionais. Foi diretor de Recursos Humanos e Organizacionais e presidente da Cia. Brasileira de Trens Urbanos; diretor de Administração da Rede Ferroviária de Seguridade Social e chefe do Departamento Geral de Desenvolvimento de Recursos Humanos da RFFSA.

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