Quando um símbolo é duramente golpeado, aos olhares do mundo, impunemente, suscita uma grave suspeição.

Não é um simples acidente, próprio ao provável de competições apaixonantes, mas um déficit de espírito. Pode significar que um ser humilde, mas essencial, está sendo impedido de entrar nos estádios, a Ética.

Se não há clara motivação ao respeito da pessoa, o discurso da paz, que não pode se reduzir a mero recurso oratório, está sendo distorcido e proclamando que tudo é válido desde que haja vitória, cujo preço infame é muitas vezes invisível ao olhar coletivo.

A guerra é a pior das perversões humanas, que muito antes das armas é gerada no espírito beligerante. Quando os valores são prescindíveis, por não conscientizados, está sendo gestada à corrupção dos costumes.

O sacrifício de Neymar, um talento, com a juventude no coração, não pode ser um acidente fugaz, mas um alerta à conscientização ética.

A competição predatória solta às feras aprisionadas em estímulo ao vale tudo, as concessões à transgressão, a malandragem, a violência, o desrespeito ao outro.

É preciso convocar a ética como goleira, meio de campo, atacante e goleadora.

Um momento de emoção coletiva tem de ser uma manifestação de inteligência única
– um instante histórico em que a derrota de um signifique o reconhecimento do mérito do outro e contribua para a autêntica confraternização.

Onde está a Ética? Que é ser ético?Onde se aprende? Pode ser ensinada?

Respostas que a Sociedade, através de suas legítimas instituições, precisa pensar e responder com prioridade de urgência.

Convoquem a Educação!

Mas não o ensino formal, burocrático, meramente alfabetizador.
Chamem a Educação, que tem alcance vivencial infinito – ao desenvolver a arte de conviver – transcendendo as fronteiras, indo além do esperado.

Todos eventos, principalmente os de dimensão mundial, devem começar convocando a Ética, que traz a Educação em suas entranhas.

O sofrimento não é em vão se nele está embutido sentido e mensagem.

Neymar tornou-se um alerta e deve ser um avanço!