Desde sempre éramos vocacionados para sermos empregados, não para o risco das atividades empresariais autônomas, não para sermos empreendedores, mesmo quando o  país crescia ininterruptamente. Por isso, hoje temos o enorme desafio de educar e formar quadros que ajudem no desenvolvimento da economia de forma empreendedora.

O Brasil é historicamente retardatário em Educação, nossa primeira faculdade só surgiu em 1808 e universidade só na segunda década do século 20. Isso se arrasta até hoje já que nosso sistema de ensino, como ninguém ignora, é muito pior do que ruim: é péssimo, é desastroso! É uma calamidade! Nem sempre foi assim. Já foi um pouco melhor,  mas era profundamente injusto e desigual. Privilegiava apenas alguns poucos, sem universalização e sem nenhuma garantia de direito a todos.

 Tínhamos boas escolas privadas, mas muito poucas. O verdadeiro ensino era, na maioria, público. A maioria das escolas particulares era “PP”, o famoso pagou passou. Atualmente, o ensino fundamental é universal na rede pública. Mas, fora as exceções – algumas importantes-, majoritariamente de péssima qualidade. Já nível médio público tem taxas alarmantes de abandono, indignas de um país que tem a 10ª economia do mundo.

Portanto, temos uma educação absolutamente incapaz de formar quadros suficientemente preparados, de boa qualidade, principalmente face às exigências da Economia 4.0. Isso se reflete em muitos estudantes que se formam, mas são analfabetos funcionais. Quando leem não conseguem interpretar o que leem. O curso médio tentar corrigir o que não se aprendeu no  curso fundamental, o curso superior tenta corrigir o que não se aprendeu no nível médio. E assim, vivemos numa espiral de decadência de ensino.

Enfim, chegamos ao ponto crucial: é com essa realidade de alunos nos cursos de Administração que os professores trabalham. É com esta realidade que os desafios interpostos pela educação atual são mais ainda graves e dramáticos. É preciso ensinar aos nossos alunos as novas competências da Economia 4.0.

Mas é vital – nessa imensidão de Brasil,  já que somos o maior curso de graduação – também ensinar aos nossos professores que é preciso criar uma massa crítica de transmissão de   conhecimentos capaz de  produzir a mudança de nossas organizações  públicas e privadas, capaz de  trazer o país à contemporaneidade deste primeiro quartel do século 21.

Definitivamente, não serão as novas Diretrizes Curriculares recém-aprovadas no CNE/MEC que nos levarão a isso, nem à reconceptualização nem à transformação. É apenas a repetição do mesmo, com uma nova roupagem, com uma fatiota mais elegante. Num mundo digital, os nossos doutos do CNE/MEC ainda pensam analogicamente.

Ferramentas hightechs se juntam ao conhecimento aplicado de disciplinas de tradicionais como lógica e filosofia, como antropologia e ciências sociais, como matemática e história, como ciência política, economia e contabilidade, como sociologia e estatística. Não como disciplinas isoladas que aqui ou ali se interpenetram, como as que estudei nos idos de 1967/1970 na EBAPE/FGV. Mas como um todo integrado, orgânico de conhecimentos aplicados simultaneamente à resolução das questões organizacionais.

Mais do que nunca é preciso associar o conhecimento e a aplicação desses conhecimentos multi e interdisciplinares (concomitantes de aplicação de ciências exatas e humanas) à valorização de competências emocionais. É preciso humanizar a organização, colocar a tecnologia a serviço do homem.

*Adm. Wagner Siqueira é diretor-geral da Universidade Corporativa do Administrador