*Adm. Cleber Lessa

Ao ver o título acima, alguém pode não entender e perguntar: o que tem a ver cada coisa com as outras? Vou tentar explicar o que pensei após, durante muito tempo, ver e escutar noticiários e entrevistas de autoridades, políticos e outros, sempre com demonstrações explícitas de desorganização.

O início da vacinação no Estado do Rio de Janeiro é muito importante para todos, sem exceção, tanto para não aumentar a necessidade de recursos, sejam eles humanos, financeiros ou materiais, quanto para melhorar a saúde física, mental e psicológica do povo.

E onde a Administração entra nisso?

Com o passar do tempo e com o surgimento das novas tecnologias, novos autores atualizaram o conceito das funções da Administração, estabelecidas inicialmente por Henri Fayol em 1916, como sendo 5 (cinco) para 4 (quatro). Essas quatro funções são executadas por todos os Administradores em suas atividades profissionais em qualquer tipo de Organização ou trabalho, sendo elas praticadas, obrigatoriamente, na seguinte ordem: PLANEJAMENTO, ORGANIZAÇÃO, DIREÇÃO E CONTROLE.

A aplicação dessas funções está em tudo o que fazemos, até como indivíduos. Vejamos: a ida ao supermercado é um processo, cujo 1º passo que uma pessoa organizada faz é a verificação das faltas em sua residência e elabora a lista de compras com produtos e quantidades, isso é PLANEJAMENTO. No supermercado, ela pesquisa marcas e preços dos itens da lista, isso é ORGANIZAÇÃO. Em seguida, ela escolhe os produtos e põe no carrinho, isso é DIREÇÃO ou EXECUÇÃO. Ao colocar cada produto no carrinho, ela assinala na lista e, após a obtenção do último item, ela confere na sua lista se separou tudo o que precisava, isso é CONTROLE. Finalizando esse processo, temos a continuidade da função DIREÇÃO ou EXECUÇÃO, quando pagamos e ensacamos todos os itens.

Apesar do Brasil ter uma grande experiência em várias campanhas de vacinação, em que o estoque de vacinas era compatível com a população, agora ele se vê numa situação oposta: a Saúde Pública não dá conta da necessidade da população, bem como o número de vacinas, que é insuficiente. Assim, temos visto várias situações de desconformidade nessa pandemia, em que um amigo me disse: ’em considerar os erros políticos e diplomáticos, os governos pensam e divulgam que possuem um plano, que na realidade não é um plano, que tem uma logística, que nem passa perto’.

Como exemplo de algumas não conformidades, cito:

  • Alocar um avião para ir buscar vacinas em outro país sem a confirmação do mesmo;
  • A cada dia, informar a população com “desculpas” a postergação da data dessa viagem;
  • Num dia informar uma data única para início da vacinação em todo Brasil e no dia seguinte mudar tudo;
  • No caso específico do Estado do Rio de Janeiro, informar que as vacinas seriam transportadas em caminhões chegando ao destino às 14 horas, mas acabou vindo em um avião particular que chegou pouco antes das 17 horas;
  • Outras tantas mais, além das acima citadas, principalmente, com relação à logística, bem como a informações incorretas e não transparentes.

Com relação ao Estado do Rio de Janeiro, ocorre, porém, que já temos conhecimento, vivência e desgosto com a corrupção, principalmente, e, em tempos recentes, na Saúde Pública. A população necessita de informações confiáveis, precisas e transparentes, sendo MUITO IMPORTANTE saber se a cada lote de recebimento de vacinas, enviado pelo Ministério da Saúde para o Estado e este para cada Município, contenha as seguintes informações:

1) Como foi calculada e estabelecida a quantidade enviada para cada município?

2) Qual o CONTROLE para verificar se pessoas, estranhas às faixas estabelecidas, estão se beneficiando antecipadamente e indevidamente da vacinação, tanto em benefício próprio, quanto de terceiros?

3) Se haverá um CONTROLE efetivo e quem os realizará? Serão as próprias Secretarias de Saúde? Existe um procedimento básico de Controle que estabelece: QUEM FAZ, NÃO CONFERE.

Pelo que tenho acompanhado nos noticiários e entrevistas, não vislumbrei Planejamento algum, o que a cada hora fica mais evidente, ou seja, não tendo Planejamento, que é a primeira função de qualquer processo, as outras funções, se existirem, ficam prejudicadas e a probabilidade de haver falhas na Organização, na Direção (Execução) e no Controle aumenta consideravelmente. Na manhã de 19 de janeiro de 2021, em que expresso as minhas ideias, vejo na TV reportagens informando que em alguns municípios de outros Estados, pessoas que não constam da lista de prioridades da vacinação, sendo vacinadas, inclusive prefeitos.

E o que têm os condomínios com tudo isso?

Vamos nos ater, principalmente, ao município com a maior população em nosso Estado, Rio de Janeiro, onde grande parte da população reside em condomínios edilícios, que são geridos por síndicos que possuem dúvidas sobre o que ou não fazer e muitos não são nem apoiados pelos próprios moradores nas suas ações para o bem-estar comum, além do que, aumentou, substancialmente, as desavenças e agressões, até as físicas, entre os moradores. Assim, torna-se imperioso o sucesso da vacinação, pois é a única arma que temos para salvar vidas, nesse contexto de ambiguidades, em que os moradores dos condomínios também estão inseridos.

Finalizando, não sou do contra, negativista ou político, mas espero e torço para que tudo dê certo, pois prefiro alertar agora no início, do que ouvir desculpas esfarrapadas ou notícias de fraudes depois.

*Adm. Cleber Lessa é especializado em Controles Internos sendo, atualmente, coordenador da Comissão Especial de Administração de Condomínios do CRA-RJ.