Há um célebre filme instrucional acerca do tema gerenciamento chamado O Gerente Desorganizado no qual o gerente que atrapalha todos ao seu redor, morre e se encontra com São Pedro que o ajuda a entender os seus erros. Chegando ao céu, São Pedro o alerta que ele é mais um daqueles que “acha que está fazendo o bem, mas está fazendo o mal.”.  Preocupa-me muito algumas atitudes que venho observando em colegas docentes especialmente do ensino superior as quais classifico da mesma maneira. Acometidos por sentimentos de compaixão, solidariedade e de complacência, esses professores praticam o que chamam de “flexibilidade”. Mas, muitas vezes, essas práticas não podem ser chamadas de flexibilidade, pois a flexão de algo possui o limite no ponto do rompimento. Uma vez que algo se rompeu é porque excedeu o seu limite, não está ao alcance da flexibilidade. Quando um professor aceita um trabalho plagiado, pois o aluno não conseguiu um desenvolvimento intelectual próprio, quando aceita uma avaliação com um texto em desacordo com as normas cultas ou até mesmo com as normas gramaticais de nossa língua porque não tem base suficiente, colocando-o como vítima de um suposto sistema educacional falido, quando ele aceita que o aluno não precisa estar presente à aula, pois trabalha muito e não consegue tempo para freqüentar a faculdade, quando o professor aceita essas e outras situações semelhantes, ele não está sendo flexível, ele está transgredindo normas e leis estabelecidas. Essas atitudes não são estímulos, solidariedade ou ajuda para os alunos, contrariamente ao que pensam esses professores, serão ensinamentos de que é possível criar referenciais paralelos, de que é possível transformar em direito o desejo de não desenvolver um texto ou de não escrever da forma correta ou de não freqüentar as aulas ou de muitas outras situações preocupantes que venho observado.

Elevo, portanto, a reflexão com estes meus colegas  acerca dessas suas atitudes. Que pensem que tipos de cidadãos estão realmente formando quando abrem essas “pequenas exceções”, quando “dão um jeitinho”, quando dão uma “pequena flexibilizada”. Acho verdadeiramente que temos que ser flexíveis sempre, mas ser flexível não significa ir além dos limites permitidos. Pensem que essas “pequenas” atitudes podem formar futuros profissionais com o pensamento de que sempre se pode desejar algo além dos limites de normas e de leis. Não nos faltam pensamentos deste tipo nas negociações empresariais, nas manobras políticas, no respeito às vagas de estacionamento reservadas aos portadores de deficiência e idosos,  no respeito à opção do outro de não ser submetido aos sons pseudo-musicais ensurdecedores de automóveis na rua.  Até que ponto fomos e somos responsáveis pela formação dessas pessoas que não respeitam o seu próximo? Romper limites em prol de uma suposta flexibilidade só ajuda a ensinar que desobedecer normas e leis é possível, afinal, o professor é ou não é o nosso modelo, o nosso exemplo? Pensem nisso!