Emergência Climática: o filme se repete, mas podemos mudar o gênero desse roteiro

O ano de 2022 começou e o roteiro se repete. Não, eu não estou falando do cancelamento do carnaval em decorrência da ascensão de uma variante da Covid-19, ou mesmo de mais um aumento na taxa de juros, voltando ao patamar de dois dígitos após quatro anos e meio. Nesse caso, especificamente, me refiro a algo tão grave quanto, e ainda mais recorrente, que são os diversos acontecimentos relacionados à emergência climática que vivemos, no Brasil e no mundo.  Especificamente em nosso país, na virada de 2021 para 2022, mais de 470 mil pessoas de 116 municípios da Bahia foram afetadas por enchentes em decorrência de fortes chuvas no Estado. Ficaram desabrigadas 31 mil pessoas no que, segundo o próprio governador, foi “o maior desastre natural da história da Bahia”.  No início de janeiro, Minas Gerais teve 341 municípios em situação de emergência devido a temporais que se estenderam por uma semana, de maneira intermitente, desalojando mais de 24 mil pessoas. Situação parecida, por exemplo, com o município de Marabá, no sudeste do Pará, que em meados desse primeiro mês que se passou, enfrentou as maiores cheias dos últimos 20 anos na região, deixando quase 3 mil famílias desabrigadas.  Ainda podemos falar em Porto Alegre, que teve o seu dia mais quente da história, com termômetros passando dos 40ºC, e o Rio de Janeiro, também com altas temperaturas, quebrando mais um recorde e atingindo uma sensação térmica acima dos incríveis 50ºC.  Como último exemplo mais recente, no fim de janeiro, 11 cidades do Estado de São Paulo foram gravemente afetadas pelas chuvas, causando deslizamento de terra, transbordamento de rios alagamentos, deixando, novamente, milhares de pessoas desabrigadas.  Temos, todos os dias, infelizmente, evidências de que esses fenômenos são potencializados pelo aquecimento do planeta, e precisamos da consciência dos entes públicos, privados e da sociedade, de que nada disso do que estamos vivendo é normal. Eventos extremos de frio e calor são sinais preocupantes e claramente conectados com a questão da emergência climática que vivemos.  Como exemplo da gravidade da situação e do quanto precisamos falar e nos movimentar em ações relacionadas ao clima, podemos citar o último relatório anual de riscos globais (Global Risks Report, 2022) do Fórum Econômico Mundial, organização sem fins lucrativos de Genebra que reúne os principais líderes empresariais e políticos para discutir as questões mais urgentes enfrentadas mundialmente, incluindo meio ambiente, que apontou a mudança climática e o fracasso das nações em conseguir controlá-las como o maior risco para o mundo. Vale ressaltar também a publicação da Organização Meteorológica Mundial, de janeiro deste ano, a qual sinaliza que 2021 foi o 7º ano mais quente já registrado, sendo o sétimo ano consecutivo em que a temperatura global esteve além de 1ºC acima dos níveis pré-industriais. Trata-se da ciência comprovando o que a natureza, através de fatos como os relatados anteriormente, já está nos dizendo todos os dias.  Fica claro que a emergência climática demanda ações de todos e todas, e que, como indivíduos, precisamos mudar o modo como consumimos, pois ações individuais impactam o coletivo. Devemos fazer forte pressão em quem nos representa  — leia-se os nossos políticos, empregadores  — e no mercado de maneira geral, para que consigamos alcançar, ano após ano, não só um país, mas um mundo com baixo nível de carbono. E que isso seja alcançado não somente através da declaração de metas, mas de ações reais que comprovem o direcionamento para o alcance dos objetivos estabelecidos.  Devemos também nos preocupar em falar mais abertamente sobre o tema, disseminar informações, debater, incentivar ações de familiares e colegas de trabalho que sejam voltadas para a redução da pegada de carbono. Temos também que acompanhar de perto, e se necessário fazer forte pressão, para que políticos e empresas se comprometam e se empenhem de fato na redução e até mesmo eliminação da poluição por carbono. Repensar nossos meios de transporte, nosso consumo de energia e até mesmo nossa dieta, priorizando refeições à base de plantas e, acima de tudo, evitando o desperdício de comida, que hoje já chega a incríveis um terço de toda comida produzida no mundo sendo perdida ou desperdiçada.  Escolha produtos sustentáveis e, prioritariamente, de origem local. Além de ajudar pequenas empresas e fortalecer a economia da sua região, isso também colabora para a redução de emissões de combustíveis fósseis relacionadas ao transporte e à armazenagem dos produtos.  Não caia na armadilha do “fast fashion” (moda rápida, em uma tradução literal), que incentiva as trocas contínuas de “roupas da moda”. Busque marcas sustentáveis, com certificações reconhecidas quando se fala em responsabilidade socioambiental (Certificação B, GOTS, BCI, Cradle to Crade Certified, entre outros). Procure dar novas utilidades para aquelas peças encostadas em seu armário  — o chamado “upcycling”. Deixe sua criatividade falar mais alto!  E, por fim, direcione seus investimentos e economias para instituições financeiras e empresas em geral que não apoiem ou tenham relação com indústrias que promovam, indiscriminadamente, a poluição por carbono. Isso já acontece nos dias de hoje em menor escala e, se mais pessoas se posicionarem dessa forma, o mercado receberá uma forte mensagem de como deve se movimentar e de em qual direção deve orientar seus recursos.  Todas essas ações, que fazem parte do nosso dia a dia, estão diretamente ligadas ao meio ambiente e as questões climáticas, e podem, se replicadas por uma sociedade desperta e engajada, ser forte mola propulsora para que possamos alcançar resultados importantes em busca da mitigação desses fenômenos que vem gerando graves consequências para milhares de pessoas no país.  Que esse roteiro possa, de um drama repetido ano após ano, se tornar o de uma história com uma reviravolta positiva e surpreendente para todos nós. É possível. É agora. Não há mais tempo a perder.

O ano de 2022 começou e o roteiro se repete. Não, eu não estou falando do cancelamento do carnaval em decorrência da ascensão de uma variante da Covid-19, ou mesmo de mais um aumento na taxa de juros, voltando ao patamar de dois dígitos após quatro anos e meio. Nesse caso, especificamente, me refiro a algo tão grave quanto, e ainda mais recorrente, que são os diversos acontecimentos relacionados à emergência climática que vivemos, no Brasil e no mundo.

Especificamente em nosso país, na virada de 2021 para 2022, mais de 470 mil pessoas de 116 municípios da Bahia foram afetadas por enchentes em decorrência de fortes chuvas no Estado. Ficaram desabrigadas 31 mil pessoas no que, segundo o próprio governador, foi “o maior desastre natural da história da Bahia”.

No início de janeiro, Minas Gerais teve 341 municípios em situação de emergência devido a temporais que se estenderam por uma semana, de maneira intermitente, desalojando mais de 24 mil pessoas. Situação parecida, por exemplo, com o município de Marabá, no sudeste do Pará, que em meados desse primeiro mês que se passou, enfrentou as maiores cheias dos últimos 20 anos na região, deixando quase 3 mil famílias desabrigadas.

Ainda podemos falar em Porto Alegre, que teve o seu dia mais quente da história, com termômetros passando dos 40ºC, e o Rio de Janeiro, também com altas temperaturas, quebrando mais um recorde e atingindo uma sensação térmica acima dos incríveis 50ºC.

Como último exemplo mais recente, no fim de janeiro, 11 cidades do Estado de São Paulo foram gravemente afetadas pelas chuvas, causando deslizamento de terra, transbordamento de rios alagamentos, deixando, novamente, milhares de pessoas desabrigadas.

Temos, todos os dias, infelizmente, evidências de que esses fenômenos são potencializados pelo aquecimento do planeta, e precisamos da consciência dos entes públicos, privados e da sociedade, de que nada disso do que estamos vivendo é normal. Eventos extremos de frio e calor são sinais preocupantes e claramente conectados com a questão da emergência climática que vivemos.

Como exemplo da gravidade da situação e do quanto precisamos falar e nos movimentar em ações relacionadas ao clima, podemos citar o último relatório anual de riscos globais (Global Risks Report, 2022) do Fórum Econômico Mundial, organização sem fins lucrativos de Genebra que reúne os principais líderes empresariais e políticos para discutir as questões mais urgentes enfrentadas mundialmente, incluindo meio ambiente, que apontou a mudança climática e o fracasso das nações em conseguir controlá-las como o maior risco para o mundo. Vale ressaltar também a publicação da Organização Meteorológica Mundial, de janeiro deste ano, a qual sinaliza que 2021 foi o 7º ano mais quente já registrado, sendo o sétimo ano consecutivo em que a temperatura global esteve além de 1ºC acima dos níveis pré-industriais. Trata-se da ciência comprovando o que a natureza, através de fatos como os relatados anteriormente, já está nos dizendo todos os dias.

Fica claro que a emergência climática demanda ações de todos e todas, e que, como indivíduos, precisamos mudar o modo como consumimos, pois ações individuais impactam o coletivo. Devemos fazer forte pressão em quem nos representa  — leia-se os nossos políticos, empregadores  — e no mercado de maneira geral, para que consigamos alcançar, ano após ano, não só um país, mas um mundo com baixo nível de carbono. E que isso seja alcançado não somente através da declaração de metas, mas de ações reais que comprovem o direcionamento para o alcance dos objetivos estabelecidos.

Devemos também nos preocupar em falar mais abertamente sobre o tema, disseminar informações, debater, incentivar ações de familiares e colegas de trabalho que sejam voltadas para a redução da pegada de carbono. Temos também que acompanhar de perto, e se necessário fazer forte pressão, para que políticos e empresas se comprometam e se empenhem de fato na redução e até mesmo eliminação da poluição por carbono. Repensar nossos meios de transporte, nosso consumo de energia e até mesmo nossa dieta, priorizando refeições à base de plantas e, acima de tudo, evitando o desperdício de comida, que hoje já chega a incríveis um terço de toda comida produzida no mundo sendo perdida ou desperdiçada.

Escolha produtos sustentáveis e, prioritariamente, de origem local. Além de ajudar pequenas empresas e fortalecer a economia da sua região, isso também colabora para a redução de emissões de combustíveis fósseis relacionadas ao transporte e à armazenagem dos produtos.

Não caia na armadilha do “fast fashion” (moda rápida, em uma tradução literal), que incentiva as trocas contínuas de “roupas da moda”. Busque marcas sustentáveis, com certificações reconhecidas quando se fala em responsabilidade socioambiental (Certificação B, GOTS, BCI, Cradle to Crade Certified, entre outros). Procure dar novas utilidades para aquelas peças encostadas em seu armário  — o chamado “upcycling”. Deixe sua criatividade falar mais alto!

E, por fim, direcione seus investimentos e economias para instituições financeiras e empresas em geral que não apoiem ou tenham relação com indústrias que promovam, indiscriminadamente, a poluição por carbono. Isso já acontece nos dias de hoje em menor escala e, se mais pessoas se posicionarem dessa forma, o mercado receberá uma forte mensagem de como deve se movimentar e de em qual direção deve orientar seus recursos.

Todas essas ações, que fazem parte do nosso dia a dia, estão diretamente ligadas ao meio ambiente e as questões climáticas, e podem, se replicadas por uma sociedade desperta e engajada, ser forte mola propulsora para que possamos alcançar resultados importantes em busca da mitigação desses fenômenos que vem gerando graves consequências para milhares de pessoas no país.

Que esse roteiro possa, de um drama repetido ano após ano, se tornar o de uma história com uma reviravolta positiva e surpreendente para todos nós. É possível. É agora. Não há mais tempo a perder.

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