A atividade laboral sofreu profundas modificações ao longo da história. Quando ainda não dispúnhamos de tecnologia o trabalho braçal era extremamente explorado, nos dias de hoje, no entanto, o que vemos é a valorização do trabalho intelectual, a força do raciocínio impulsionando nossas atividades.

Por volta de 2.550 Antes de Cristo os homens que construíram as pirâmides dependeram exclusivamente da força produzida pelo próprio corpo para desenvolver suas atividades, o que exigia que permanecessem no local de trabalho por um período de tempo absurdo.

A construção das pirâmides egípcias requereu o emprego da força bruta de vários homens, no caso da pirâmide de Quéops, foram necessários mais de 100 mil homens, e 20 anos para construí-la, pois não dispúnhamos de máquinas que substituíssem a força humana.

No século XVIII com a revolução industrial, este panorama mudou, as ferramentas rudimentares foram substituídas por máquinas, e a energia humana pela energia motriz. Minimizávamos nossos esforços e aumentávamos nossa produção.

Mas ainda dependíamos de dedicar muito de nosso tempo à organização, pois a maioria ainda necessitava estar presente na fábrica por muito tempo, para realizar as suas tarefas.

A partir do século XX, com o advento da tecnologia da informação, as energias humana e motriz, ganham reforço do intelecto, que reduz tempo e esforço.

Se por um lado isto proporciona gastar menos tempo, e utilizar menos energia, por outro provoca uma revolução de comportamento, pois desperta no homem a consciência de sua importância e de que todas as suas necessidades precisam ser atendidas, inclusive começa-se a discutir a necessidade de se alcançar a felicidade no trabalho.

Começamos a exigir da organização que ela nos faça feliz no trabalho; mas como proporcionar esta felicidade? À medida que os estudos avançavam mais se reforçava a percepção de que esta felicidade depende muito mais do próprio empregado, do que da organização, que mais do que ter retorno financeiro o empregado precisa se sentir realizado profissionalmente, precisa conviver num ambiente agradável e amigável, se sentir acolhido, confiar em seu chefe e colegas, ter motivo para criar e recriar, etc.

O grande problema é que o trabalhador passa muito tempo dentro da empresa, o que o leva a criar uma relação de afetividade com a mesma, vendo-a como um organismo vivo.

É comum ouvir o empregado dizer “passo mais tempo com a empresa do que em casa com a minha família”, “na empresa somos uma grande família”, “a empresa é meu 2º lar” etc, essa relação pouco saudável exige uma postura matriarcal da organização, como uma mãe amorosa, que se preocupa com todos os aspectos da vida de seus filhos; e de nossos colegas de trabalho passamos a esperar que nos entendam e nos tratem como irmãos consangüíneos. Quando essas expectativas não são correspondidas os problemas começam a surgir, gerando insatisfação e ansiedade, conflitos profissionais e pessoais. Tudo isso por que deixamos de enxergar a relação empregado x empresa, como o que ela realmente é, “uma relação comercial”, em que o trabalhador oferta seu trabalho, e a empresa lhe paga um salário, esta é uma relação formal baseada em um contrato firmado entre ambas as partes, em que é do conhecimento de ambos qual é o papel de cada um nessa relação, e o que cada um vai fornecer e receber do outro.

Essa noção de contrato se perde porque a substituíamos pela noção de relação familiar, pois abdicamos de grande parte do tempo que passaríamos com nossas famílias, nos dedicando ao lazer e outras atividades que nos proporcionassem satisfação pessoal, por uma grande quantidade de tempo dedicado a estar dentro de nossas empresas, e nem sempre trabalhando.

O ideal é que pudéssemos estabelecer a própria jornada de trabalho, desde que garantíssemos a “entrega” do contratado nas quantidades e especificações estabelecidas, sem a obrigatoriedade de cumprir dentro da organização uma carga horária tão extensa.

Por Rosimeri Paura

Administradora de Sistema de Informação com dedicação a Área de RH.